Em nossos dias, vivemos em uma sociedade marcada pela competição e pelo desejo incessante de reconhecimento. Muitas pessoas acreditam que o valor de uma vida está em quão alto conseguimos chegar diante dos olhos humanos. Contudo, quando analisamos esse comportamento à luz da Palavra de Deus, percebemos que a busca cega pela grandeza tem causado danos profundos ao coração e ao caráter. A Bíblia sempre nos chama à humildade, ao serviço e ao reconhecimento de que toda glória pertence ao Senhor. Em vez de vivermos correndo atrás de aplausos, somos convidados a viver para agradar a Deus, entendendo que o maior no Reino não é o mais exaltado, mas o mais humilde diante do Pai.
Hoje há uma guerra constante por estar no topo, por ser reconhecido, por ser o maior, o mais influente na sociedade e isto não só se destaca no mundo secular, mas também o vemos na igreja. E esta tentativa por ser o maior fez um grande mal em todos os sentidos da palavra, já que nos faz parecer pessoas que só se importam conosco e o que fazemos é para nossa própria glória, e não deveria ser assim, tudo o que fazemos deve ser exclusivamente para a glória do Seu Nome.
Essa atitude competitiva também tem gerado divisões, comparações desnecessárias e até desânimo em muitos corações. É importante lembrar que Deus não chamou ninguém para competir no Reino, mas para servir. O exemplo de Cristo é suficiente para entendermos isso: Ele, sendo o Filho de Deus, fez-se servo, lavou os pés dos discípulos e se entregou voluntariamente na cruz. Portanto, quando buscamos grandeza aos olhos do mundo, estamos caminhando em direção contrária à essência do Evangelho.
Em certa ocasião, os discípulos chegaram a Jesus com a pergunta: Quem é o maior? A resposta de Jesus pode ser interpretada como “ser humilde, não procurar o seu próprio”:
1 Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?”
2 Chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
3 e disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças,
jamais entrarão no Reino dos céus.
Mateus 18:1-3
Essa resposta de Jesus não apenas surpreendeu os discípulos, mas também confrontou a mentalidade comum da época, onde grandeza estava associada a posição, força e poder. Ao colocar uma criança no centro, Jesus redirecionou completamente o entendimento dos seus seguidores. Ele estava ensinando que grandeza no Reino não tem a ver com status, mas com coração puro, dependência, sinceridade e ausência de malícia. Uma criança não vive buscando reconhecimento; ela confia, aprende e segue.
Depois que os discípulos fizeram essa pergunta, Jesus escolheu uma criança e colocou-a no meio deles, dizendo-lhes que, se não se virassem e agissem como crianças, não entrariam no reino dos céus. Por que como crianças? Uma criança tem pensamentos completamente diferentes do que um adulto, sua mente é mais limpa, e é por isso que Paulo diz que sejamos como crianças em relação à malícia (1 Coríntios 14:20).
Essa comparação não significa imaturidade espiritual, mas sim pureza de coração. O Reino de Deus é composto por pessoas que reconhecem sua dependência do Pai, que não se apoiam em sua própria força e que não caminham movidas pela soberba. Ser como criança é abandonar o orgulho, deixar de lado a vaidade e aprender a confiar plenamente em Deus.
A prova de que somos realmente nascidos de novo e que somos como crianças em termos de malícia significa que não buscamos o nosso próprio bem, mas procuramos dar glória a Deus com tudo o que somos e amar nosso próximo como a nós mesmos.
4 Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus.
5 “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo.
Mateus 18:4-5
Essa verdade é poderosa: o maior é o que se humilha. A humildade é uma virtude que nos aproxima de Deus, enquanto o orgulho nos distancia. Jesus ensinou que quem recebe os pequenos, os simples e os humildes, está na verdade recebendo a Ele próprio. Isso revela que Deus se identifica com aqueles que não buscam grandeza terrena, mas vivem com um coração sincero e cheio de amor.
Esse é o maior amigo, aquele que se humilha como uma criança. E lembre-se: “Deus olha para os arrogantes de longe e os humildes de perto”.
Ao final, a mensagem de Cristo permanece clara e necessária para nossos dias: grandeza verdadeira não está no palco, no título ou no reconhecimento humano, mas na disposição de servir, amar e permanecer humilde diante de Deus. Que diariamente possamos pedir ao Senhor um coração simples, ensinável e cheio de amor, para vivermos não para nossa glória, mas para a glória dEle.