Nesses dia Deus te segue amando

Estamos vivendo tempos difíceis, mas isso não significa que Deus tenha abandonado o Seu povo. Ao contrário, Seu amor e Sua fidelidade permanecem inabaláveis, mesmo quando não conseguimos compreender o que acontece ao nosso redor. Por isso, ao passar por tempos difíceis, precisamos lembrar que nossa esperança continua firmada no Senhor.

O amor de Deus não muda com as circunstâncias

Quando enfrentamos crises, perdas, medo, enfermidades, instabilidade ou incerteza, nosso coração pode interpretar essas circunstâncias como sinal de abandono. Somos seres limitados e frequentemente avaliamos a bondade de Deus de acordo com aquilo que conseguimos enxergar em determinado momento. Se tudo está bem, pensamos que Deus está perto; quando tudo parece dar errado, somos tentados a imaginar que Ele se afastou.

Porém, a Bíblia não nos permite medir o amor de Deus dessa maneira. O caráter do Senhor não muda porque o cenário ao nosso redor mudou. Ele não deixa de ser fiel quando enfrentamos uma tempestade, não deixa de ser misericordioso quando choramos e não perde o controle quando nossa vida parece estar cercada de incertezas.

As circunstâncias são passageiras, mas Deus permanece para sempre. É por isso que a fé cristã não está fundamentada simplesmente em sentimentos positivos ou em períodos de prosperidade. Nossa confiança repousa em quem Deus é e naquilo que Ele já realizou por meio de Jesus Cristo.

Existem momentos em que não compreenderemos os caminhos do Senhor. Algumas perguntas talvez permaneçam sem resposta durante muito tempo. Entretanto, mesmo quando não conseguimos explicar o que está acontecendo, podemos continuar confiando no caráter daquele que nunca muda.

A cruz é a maior demonstração do amor de Deus

A Bíblia fala repetidamente sobre o extraordinário amor de Deus, mas nenhuma demonstração desse amor é maior do que a cruz de Cristo. Quando contemplamos Jesus entregando Sua vida, percebemos que estamos diante de uma realidade muito maior do que qualquer sentimento humano poderia explicar.

Esse amor indescritível de Deus ultrapassa nossa capacidade de compreensão. Como pode o Deus santo demonstrar tamanha misericórdia para com pecadores? Como pode Aquele que não precisava de nós ter providenciado a redenção para pessoas que haviam se rebelado contra Ele? É justamente aqui que começamos a compreender a grandeza da graça.

O Evangelho não começa com o homem procurando Deus, mas com Deus agindo em favor de pecadores. Não apresentamos méritos que obrigassem o Senhor a nos salvar. Não havia boas obras suficientes para apagar nossa culpa. Nossa esperança está inteiramente na obra de Cristo.

Quando pensamos seriamente nisso, percebemos que a cruz responde de maneira poderosa aos nossos questionamentos sobre o amor divino. Podemos não entender determinada perda, determinada espera ou determinada provação, mas não podemos olhar para o Calvário e concluir que Deus foi indiferente à nossa condição.

Deus nos amou primeiro

Uma das verdades mais profundas apresentadas pelo apóstolo João é que o amor não teve sua origem em nós. Naturalmente poderíamos pensar que nossa relação com Deus começou quando decidimos buscá-Lo, mas a Escritura apresenta uma perspectiva muito maior: Deus tomou a iniciativa.

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus,
mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

1 João 4:10

Essas palavras eliminam qualquer motivo de orgulho espiritual. João não afirma que Deus respondeu ao nosso extraordinário amor por Ele. O texto diz exatamente o contrário. Deus nos amou e enviou Seu Filho. Portanto, a salvação começa na graça divina e não no mérito humano.

É importante lembrar dessa verdade especialmente nos dias de fraqueza. Às vezes observamos nossa própria vida e ficamos profundamente decepcionados. Vemos limitações, falhas, pecados dos quais precisamos nos arrepender e áreas nas quais ainda precisamos crescer. Se nossa segurança estivesse fundamentada em nossa perfeição, jamais teríamos descanso.

Mas nossa esperança está em Cristo. Isso não significa tratar o pecado com indiferença. Pelo contrário, quem compreende a graça deseja viver em santidade e gratidão diante de Deus. Contudo, nossa confiança final não está no quanto conseguimos impressionar o Senhor, mas na perfeita obra de Jesus.

Cristo morreu quando ainda éramos pecadores

Paulo apresenta a mesma verdade de maneira extraordinária na carta aos Romanos. Ele mostra que Deus não esperou que a humanidade alcançasse determinada condição moral para então demonstrar Seu amor. Cristo morreu por pecadores.

Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.

Romanos 5:8

Observe a força da palavra “demonstra”. O amor de Deus não permaneceu apenas no campo das declarações. Houve uma manifestação histórica e concreta desse amor. Cristo veio ao mundo, assumiu verdadeira humanidade, sofreu e entregou Sua vida na cruz.

Isso nos ajuda a entender por que um cristão não deve julgar o amor de Deus exclusivamente pelo conforto que possui. O maior presente que recebemos não é ausência de problemas, riqueza, saúde perfeita ou uma vida sem lágrimas. O maior presente é Cristo.

Se Deus tivesse nos dado todas as riquezas deste mundo, mas não tivesse providenciado redenção, continuaríamos em nossa condição de pecado. Porém, em Cristo recebemos algo infinitamente superior aos bens temporais: perdão, reconciliação com Deus e esperança eterna.

As dificuldades não significam abandono

Uma das conclusões mais perigosas que podemos tirar durante uma provação é pensar: “Se Deus realmente me amasse, eu não estaria passando por isso”. Essa ideia pode parecer convincente quando estamos sofrendo, mas ela não corresponde ao testemunho bíblico.

Os servos de Deus atravessaram períodos profundamente difíceis. José foi vendido pelos próprios irmãos. Davi enfrentou perseguições. Jó perdeu em pouco tempo aquilo que parecia constituir toda a segurança de sua vida. Os profetas enfrentaram rejeição, e os apóstolos conheceram prisões, perseguições e inúmeras aflições.

Acima de todos esses exemplos está o próprio Jesus Cristo. O Filho amado do Pai conheceu sofrimento, rejeição e a cruz. Portanto, passar por sofrimento não é prova automática de que Deus abandonou alguém.

Isso também não significa que devemos minimizar a dor. A Bíblia não nos ensina a fingir que o sofrimento não existe. Há Salmos cheios de lágrimas, perguntas e lamentos. O cristão pode chorar, pode sentir tristeza e pode reconhecer honestamente sua fraqueza. A diferença é que ele não sofre sem esperança.

Nada pode separar o povo de Deus do amor de Cristo

Poucas passagens bíblicas oferecem tanto consolo em períodos de incerteza quanto Romanos 8. Paulo não apresenta uma vida cristã livre de problemas. Pelo contrário, ele menciona tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada. Ainda assim, sua conclusão é extraordinariamente segura.

A promessa é que nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Essa verdade muda a maneira como enfrentamos a adversidade. O sofrimento pode atingir muitas áreas da nossa vida, mas não possui autoridade para destruir aquilo que Deus estabeleceu em Cristo.

A tribulação não é maior do que Cristo. O medo não é maior do que Cristo. A incerteza não é maior do que Cristo. Nem mesmo a morte possui a palavra final sobre aquele que pertence ao Senhor.

Isso significa que nossa segurança não depende de conseguirmos controlar todos os acontecimentos. Podemos não saber o que acontecerá amanhã, mas conhecemos Aquele que governa o amanhã. Podemos desconhecer o caminho que teremos de percorrer, mas sabemos quem continuará conosco durante a caminhada.

O amor de Deus nos ensina a confiar

Confiar em Deus é relativamente simples quando tudo acontece de acordo com nossos planos. O verdadeiro desafio aparece quando nossas expectativas não são correspondidas. É nesse momento que descobrimos se nossa fé está fundamentada nas bênçãos ou no próprio Deus.

Muitas vezes pedimos ao Senhor uma solução imediata, mas a resposta não chega no período que esperávamos. Oramos por determinadas situações e aparentemente nada muda. Nesses momentos precisamos lembrar que o silêncio de Deus não significa ausência de Deus.

Há obras do Senhor que só compreenderemos depois. Existem processos pelos quais Deus fortalece nossa fé, desenvolve perseverança, corrige prioridades e nos ensina a depender menos de nossas próprias forças.

Por isso, a oração durante uma crise não deveria ser apenas: “Senhor, retire imediatamente este problema”. Também podemos dizer: “Senhor, sustenta-me, ensina-me, ajuda-me a permanecer fiel e não permita que meu coração se afaste de Ti”.

A esperança cristã é maior do que o presente

Uma das grandes diferenças entre a esperança bíblica e o simples otimismo é que o otimismo depende da possibilidade de as circunstâncias melhorarem. A esperança cristã, entretanto, está firmada nas promessas de Deus.

Naturalmente desejamos que os problemas terminem, que a enfermidade desapareça, que a situação financeira melhore, que determinados conflitos sejam resolvidos e que aquilo que causa preocupação encontre uma solução. Podemos orar por tudo isso.

Contudo, nossa esperança é maior. Mesmo quando determinada circunstância não termina como desejávamos, Deus continua sendo nossa porção. O Evangelho nos ensina a olhar além do momento presente, lembrando que nossa história não termina nas dificuldades desta vida.

Existe uma esperança eterna reservada para aqueles que estão em Cristo. Essa perspectiva não torna insignificante aquilo que vivemos agora, mas coloca nossas lutas dentro de uma realidade maior. A dor não terá duração eterna. O pecado não terá duração eterna. A morte não terá duração eterna. Cristo venceu e Seu povo participará plenamente dessa vitória.

As provações podem fortalecer nossa fé

A dificuldade pode produzir diferentes reações. Algumas pessoas permitem que a dor as afaste de Deus, enquanto outras descobrem justamente nesses períodos o quanto necessitam do Senhor. A provação revela a fragilidade de muitas coisas nas quais costumávamos depositar nossa segurança.

Dinheiro pode desaparecer. Planos podem mudar. Pessoas podem nos decepcionar. A saúde pode enfraquecer. Circunstâncias que pareciam perfeitamente controladas podem mudar rapidamente. Quando tudo isso acontece, somos lembrados de que somente Deus permanece absolutamente seguro.

A Bíblia nos chama a continuar perseverando nas provações e dificuldades, não porque tenhamos força suficiente em nós mesmos, mas porque o Senhor sustenta Seu povo. Perseverança cristã não é autossuficiência; é dependência contínua da graça de Deus.

Isso modifica nossa maneira de olhar para as crises. Em vez de perguntar somente “como posso sair rapidamente disso?”, começamos também a perguntar: “O que Deus está ensinando ao meu coração neste período?”.

As provações podem revelar ídolos, corrigir prioridades e aprofundar nossa comunhão com Deus. Muitas vezes aprendemos em períodos difíceis verdades que conhecíamos intelectualmente, mas que ainda não haviam penetrado profundamente em nosso coração.

Devemos voltar continuamente para a Palavra

Em momentos de grande preocupação, nossa mente pode se tornar um campo de batalha. Pensamentos negativos se repetem, cenários ruins são imaginados e o medo começa a controlar nossas decisões. Por isso, precisamos alimentar nossa mente com a verdade das Escrituras.

Isso não significa simplesmente abrir a Bíblia aleatoriamente esperando encontrar uma frase que resolva todos os nossos problemas. Devemos conhecer a Palavra, compreender seu ensino e permitir que suas verdades moldem nossa maneira de pensar.

Quando a mente diz “Deus me abandonou”, lembramos da fidelidade do Senhor. Quando o coração diz “não existe esperança”, lembramos das promessas divinas. Quando sentimos que não conseguiremos continuar, recordamos que nossa força definitiva não procede de nós mesmos.

A Palavra nos ajuda a interpretar nossas circunstâncias corretamente. Sem ela, podemos avaliar Deus a partir de nossos sentimentos. Com ela, aprendemos a avaliar nossos sentimentos à luz da verdade revelada por Deus.

Ore mesmo quando estiver sem palavras

Também precisamos continuar orando. Há momentos em que temos muitas palavras; em outros, quase nenhuma. Algumas dores são tão profundas que não sabemos exatamente o que dizer diante de Deus.

Ainda assim, podemos nos aproximar do Senhor. Ele não exige discursos sofisticados. Podemos confessar nossa fraqueza, apresentar nossas preocupações e pedir ajuda. Deus conhece perfeitamente aquilo que existe em nosso coração.

A oração nos lembra que não somos autossuficientes. Ao dobrarmos nossos joelhos, reconhecemos que precisamos de alguém maior do que nós. Entregamos ao Senhor preocupações que não conseguimos controlar e pedimos sabedoria para lidar com aquilo que está diante de nós.

Talvez a situação não mude imediatamente depois de uma oração, mas nossa perspectiva pode mudar. Somos lembrados de que não estamos conversando com uma força impessoal, mas com o Deus vivo, soberano, sábio e misericordioso.

O amor recebido deve aparecer em nossa vida

Compreender o amor de Deus também produz consequências práticas. O cristão não foi chamado apenas para falar sobre amor, mas para demonstrá-lo. Se fomos alcançados por misericórdia, devemos ser misericordiosos. Se recebemos perdão, devemos estar dispostos a perdoar. Se Deus cuidou de nós, também devemos olhar para as necessidades das pessoas ao nosso redor.

Os períodos difíceis podem criar excelentes oportunidades para a igreja demonstrar o Evangelho de maneira prática. Uma palavra de encorajamento, uma visita, uma oração, uma refeição oferecida a uma família necessitada ou simplesmente a disposição de ouvir alguém podem ser profundamente significativas.

Não somos salvos por essas obras, mas elas podem ser frutos de uma vida transformada pela graça. Quem foi profundamente alcançado pelo amor de Deus aprende a olhar para o próximo de maneira diferente.

Não permita que o medo interprete Deus por você

O medo costuma falar alto. Ele exagera possibilidades, antecipa tragédias e tenta nos convencer de que tudo terminará da pior maneira possível. Se permitirmos que o medo governe nossa interpretação da realidade, facilmente esqueceremos aquilo que Deus já revelou.

A fé não consiste em negar a existência dos perigos. Também não significa acreditar que nada desagradável jamais acontecerá. A fé cristã significa confiar em Deus mesmo sabendo que vivemos em um mundo marcado pelo pecado e pelo sofrimento.

Por isso, quando a ansiedade tentar dominar nossos pensamentos, precisamos novamente direcionar os olhos para Cristo. Ele continua sendo o mesmo Senhor. Sua obra continua perfeita. Suas promessas não envelheceram e Seu poder não diminuiu.

Deus continua sendo digno da nossa confiança

Talvez você esteja atravessando um período que jamais imaginou enfrentar. Talvez suas perguntas sejam muitas e as respostas pareçam poucas. Talvez você esteja esperando há muito tempo por uma mudança e esteja começando a se sentir cansado.

Não transforme esse cansaço em uma conclusão errada sobre Deus. A dificuldade da caminhada não significa que o Senhor deixou de ser bom. Olhe novamente para a cruz. Recorde aquilo que Cristo fez. Lembre-se de que nossa história está nas mãos de um Deus que enxerga aquilo que nós não conseguimos enxergar.

Podemos apresentar nossas lágrimas a Ele. Podemos confessar nossos medos. Podemos pedir forças para o próximo passo. E mesmo quando não conseguimos enxergar muito longe, podemos continuar caminhando pela fé.

O amor de Deus permanece nossa âncora

Em tempos difíceis, precisamos de algo mais sólido do que frases motivacionais. Precisamos de uma verdade capaz de permanecer firme quando todo o restante parece instável. O Evangelho oferece exatamente isso: Deus demonstrou Seu amor de maneira suprema em Jesus Cristo.

Por isso, nossa esperança não precisa desaparecer quando surgem as tempestades. Podemos chorar e continuar crendo. Podemos sentir fraqueza e continuar buscando ao Senhor. Podemos não compreender tudo e ainda assim permanecer confiantes em Seu caráter.

O mesmo Deus que sustentou Seu povo ao longo das gerações continua reinando. Ele não perdeu o controle da história, não foi surpreendido pelos acontecimentos e não deixou de cumprir Seus propósitos.

Caro leitor, se os dias estiverem escuros, volte seus olhos para Cristo. Se seu coração estiver cansado, aproxime-se do Senhor. Se as circunstâncias estiverem tentando convencê-lo de que Deus se esqueceu de você, recorde a cruz e as promessas das Escrituras.

Nossa esperança permanece naquele que salva, perdoa, sustenta e guarda Seu povo. Continuamos esperando em Sua graça, sabendo que Aquele que começou Sua boa obra não age de maneira incerta. Deus permanece fiel, Cristo continua sendo suficiente e Seu amor continua sendo uma âncora segura para nossa alma, inclusive nos dias mais difíceis.

A minha alma espera no Senhor
Justificados pela fé

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