Justificados pela fé

Se algo está muito claro nas Escrituras, é que somos pecadores e precisamos desesperadamente da graça de Deus. Não havia em nós poder para restaurar a comunhão perdida no Éden; por isso, nossa esperança está em Cristo, pois somos salvos pela graça e recebidos por Deus mediante a fé.

O pecado nos separou de Deus

Desde o momento em que Adão e Eva pecaram, o pecado entrou na história humana e suas consequências alcançaram toda a humanidade. Aquele relacionamento de perfeita comunhão com Deus foi quebrado, e o homem passou a viver debaixo dos efeitos da queda. A Bíblia não apresenta o pecado como um pequeno defeito de comportamento, mas como uma realidade profunda que afeta nossa relação com o Criador.

É por isso que o problema do ser humano não poderia ser resolvido simplesmente com educação, disciplina, boas intenções ou práticas religiosas. Podemos melhorar determinados aspectos de nossa conduta, ajudar outras pessoas e realizar muitas coisas consideradas boas pela sociedade, mas nenhuma dessas obras consegue remover a culpa do pecado diante de um Deus perfeitamente santo.

A santidade de Deus exige uma justiça que nós mesmos não podemos produzir. O homem pecador necessita de algo muito maior do que uma reforma exterior; necessita de reconciliação, perdão e uma nova posição diante de Deus. Essa é precisamente uma das grandes verdades apresentadas pelo evangelho de Jesus Cristo.

Quando compreendemos a gravidade do pecado, começamos também a compreender a grandeza da salvação. Se o nosso problema fosse pequeno, uma pequena solução seria suficiente. Porém, nossa condição diante de Deus exigia uma intervenção divina. Não poderíamos subir até Deus por nossos próprios méritos, por isso Deus, em Sua misericórdia, providenciou em Cristo aquilo que jamais conseguiríamos alcançar sozinhos.

Justificados pela fé em Jesus Cristo

O apóstolo Paulo apresenta essa verdade de maneira maravilhosa no início do capítulo cinco da carta aos Romanos:

1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,

2 por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

3 Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança;

Romanos 5:1-3

Estas palavras são extraordinárias porque descrevem uma mudança completa na condição daquele que crê. Paulo não diz simplesmente que o pecador começou a comportar-se melhor ou que recebeu uma nova oportunidade para tentar conquistar o favor de Deus. Ele declara que fomos justificados pela fé e, como resultado, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

Ser justificado significa ser declarado justo diante de Deus. Podemos imaginar a linguagem de um tribunal: existe culpa verdadeira, existe uma lei santa e existe um Juiz perfeitamente justo. O pecador não tem argumentos suficientes para provar sua inocência, porque de fato pecou. Entretanto, no evangelho acontece algo maravilhoso: Cristo assume o lugar do pecador e oferece uma justiça perfeita em seu favor.

Isso não significa que Deus simplesmente decidiu ignorar o pecado. A justiça divina não foi abandonada. O pecado foi tratado seriamente na cruz. Cristo sofreu em favor de pecadores e cumpriu aquilo que nós não poderíamos cumprir. Dessa maneira, Deus permanece justo e, ao mesmo tempo, justifica aquele que deposita sua fé em Jesus Cristo.

Não somos justificados pelas nossas obras

Uma das maiores tentações religiosas do coração humano é pensar que podemos acumular méritos suficientes para sermos aceitos por Deus. Algumas pessoas confiam em suas boas ações, outras em tradições religiosas, outras em sua moralidade e outras no fato de acreditarem que não são tão más quanto determinados indivíduos. Porém, diante da perfeição divina, nenhuma comparação humana é suficiente.

A função das boas obras nunca foi comprar a salvação. A própria Escritura mostra o propósito da lei: revelar a santidade de Deus, mostrar o pecado e evidenciar nossa necessidade de um Salvador. A lei pode revelar nossa culpa, mas não pode transformar um pecador culpado em alguém perfeitamente justo por seus próprios méritos.

Imagine uma pessoa que possui uma enorme dívida que jamais conseguiria pagar. Trabalhar um pouco mais não resolveria o problema se o valor da dívida estivesse infinitamente acima de sua capacidade. Da mesma maneira, nossas obras não poderiam apagar nossas transgressões. Precisávamos que alguém pagasse aquilo que estava além de nossas possibilidades.

Foi isso que Cristo fez. Jesus não veio apenas ensinar um caminho; Ele veio tornar-se o caminho da nossa reconciliação com Deus. Sua vida perfeita, Sua morte e Sua ressurreição constituem a base de nossa esperança. Por isso, a glória da salvação não pertence ao homem, mas ao Senhor.

A cruz cancelou uma dívida que não podíamos pagar

A cruz ocupa o centro da fé cristã porque ali vemos simultaneamente a seriedade do pecado e a grandeza do amor de Deus. Se o pecado pudesse ser eliminado por boas intenções, a morte de Cristo seria desnecessária. Mas foi justamente porque nossa situação era tão grave que o Filho de Deus entregou Sua vida.

Jesus não morreu como alguém surpreendido pelas circunstâncias. Sua entrega fazia parte do plano de redenção. Ele voluntariamente tomou sobre Si aquilo que nós merecíamos e realizou um sacrifício suficiente. É por isso que podemos afirmar com confiança que o sacrifício de Cristo remove o pecado e abre o caminho da reconciliação com o Pai.

Na cruz encontramos aquilo que nunca encontraríamos em nossos próprios esforços. Encontramos perdão para o culpado, esperança para aquele que estava perdido, vida para aquele que estava espiritualmente morto e acesso a Deus para aquele que estava distante.

Cristo tomou o lugar de pecadores. Essa verdade deve produzir profunda humildade em nós. Não podemos olhar para a salvação como se fosse uma recompensa entregue aos melhores seres humanos. A salvação é graça concedida a pessoas que não podiam salvar a si mesmas.

Por isso, ninguém pode aproximar-se de Deus vangloriando-se de seus próprios méritos. Diante da cruz, todo orgulho humano cai por terra. O rico e o pobre, o estudado e o simples, aquele que possui reconhecimento social e aquele que é desconhecido precisam exatamente do mesmo Salvador.

Agora temos paz com Deus

Romanos 5 não diz apenas que fomos justificados; Paulo acrescenta uma consequência maravilhosa: “temos paz com Deus”. Essa paz é muito mais profunda do que uma sensação momentânea de tranquilidade. Ela descreve uma mudança real em nossa relação com o Senhor.

O pecado havia criado separação. Agora, por meio de Cristo, existe reconciliação. O crente pode aproximar-se de Deus sabendo que sua confiança não está em sua própria perfeição, mas na perfeita obra de Jesus. Isso muda completamente a maneira como vivemos nossa fé.

Há dias em que nos sentimos fortes e há dias em que percebemos claramente nossa fraqueza. Nossos sentimentos mudam. As circunstâncias mudam. Nossa disposição pode mudar. A obra de Cristo, porém, não muda. Nossa paz com Deus está fundamentada naquilo que Jesus realizou, e não na instabilidade de nossas emoções.

Isso também não significa que o cristão passa a tratar o pecado com indiferença. Muito pelo contrário. Quanto mais entendemos o preço de nossa redenção, mais desejamos viver de maneira agradável ao Senhor. Não buscamos santidade para comprar a justificação; buscamos santidade porque fomos alcançados pela graça.

A graça não é uma licença para continuar pecando

Algumas pessoas poderiam perguntar: se somos justificados pela fé e não pelas obras, então as obras não importam? A resposta bíblica é que elas importam profundamente, mas precisam ser colocadas em seu devido lugar.

As boas obras não são a raiz de nossa salvação; elas são fruto de uma vida transformada. Uma árvore não se torna viva porque produz frutos; ela produz frutos porque está viva. Da mesma maneira, aquele que foi alcançado pelo evangelho começa a demonstrar os efeitos dessa transformação em sua maneira de pensar, falar, agir, perdoar, servir e relacionar-se com outras pessoas.

A mesma graça que perdoa também transforma. Ela não nos ensina a amar o pecado, mas a reconhecê-lo, combatê-lo e buscar uma vida que glorifique a Deus. Continuaremos enfrentando fraquezas enquanto estivermos neste mundo, mas já não podemos fazer do pecado nosso senhor e tratá-lo como algo sem importância.

Quando falhamos, corremos novamente para Cristo em arrependimento. Não escondemos nosso pecado, não tentamos justificá-lo e não culpamos outras pessoas. Confessamos nossa necessidade da misericórdia divina e confiamos no Salvador.

Nossa glória está em Cristo

Qual é, então, a nossa glória? Não é podermos dizer que fomos suficientemente bons. Não é apresentar diante de Deus uma lista de realizações religiosas. Nossa glória está no fato de que Cristo morreu por pecadores, ressuscitou e nos reconciliou com o Pai.

Éramos culpados e recebemos perdão. Estávamos distantes e fomos aproximados. Estávamos debaixo de condenação e recebemos justificação. Não possuíamos recursos para comprar a salvação e recebemos gratuitamente a graça de Deus. Toda essa realidade deve produzir gratidão.

Isso também nos impede de olhar com superioridade para outras pessoas. Se fomos salvos pela graça, não temos motivo para orgulho espiritual. Podemos compartilhar o evangelho com humildade, lembrando que também dependemos totalmente da misericórdia do Senhor.

A igreja deve ser uma comunidade de pessoas que exaltam Cristo, e não seus próprios méritos. Nossas canções, pregações, orações, testemunhos e serviço devem apontar para Aquele que realizou a obra que jamais poderíamos realizar.

Por que Paulo fala das tribulações?

Depois de falar sobre justificação, paz com Deus, graça e esperança, Paulo introduz um assunto que talvez pareça inesperado: as tribulações. Poderíamos imaginar que alguém reconciliado com Deus jamais enfrentaria sofrimento, mas essa não é a promessa bíblica.

O cristão continua vivendo em um mundo marcado pelo pecado. Existem enfermidades, perdas, perseguições, conflitos, dificuldades familiares, preocupações financeiras, decepções e muitos outros sofrimentos. A diferença é que agora nossas tribulações não estão fora do cuidado soberano de Deus.

Paulo ensina que a tribulação produz perseverança. Isso não significa que a dor seja agradável. O sofrimento continua sendo sofrimento. Entretanto, Deus pode utilizar até mesmo momentos difíceis para amadurecer Seus filhos.

Quando atravessamos períodos de grande dificuldade, precisamos lembrar que Deus nos consola em todas as nossas tribulações. Ele não abandona Seus filhos quando chegam os dias maus. Muitas vezes é justamente nesses períodos que aprendemos de maneira mais profunda a depender dEle.

A tribulação produz perseverança

A perseverança cristã não significa fingir que nenhum problema existe. Também não significa caminhar sem lágrimas. Existem situações que realmente nos ferem, e a Bíblia nunca exige que façamos de conta que a dor não é real. O próprio Senhor Jesus conheceu tristeza, rejeição e sofrimento.

Perseverar significa continuar confiando em Deus mesmo quando não compreendemos completamente aquilo que está acontecendo. Significa continuar orando quando a resposta parece demorar, continuar crendo quando as circunstâncias são desfavoráveis e continuar obedecendo quando seria mais fácil abandonar o caminho.

A fé provada aprende a descansar não somente nos presentes de Deus, mas no próprio Deus. Em tempos de abundância é fácil agradecer pelas bênçãos recebidas. Nas tribulações descobrimos se nossa confiança está apenas naquilo que Deus nos dá ou verdadeiramente em quem Ele é.

Paulo continua mostrando que a perseverança produz caráter aprovado e o caráter aprovado produz esperança. Existe, portanto, um processo de amadurecimento. As dificuldades não precisam destruir nossa fé; nas mãos de Deus, podem fortalecê-la.

A esperança do cristão não termina nesta vida

Romanos 5 também diz que nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Essa esperança aponta além das circunstâncias presentes. O cristianismo não promete simplesmente uma vida confortável neste mundo. Nossa maior expectativa está na consumação daquilo que Deus prometeu.

Um dia não haverá mais luta contra o pecado, não haverá separação, morte ou sofrimento. Estaremos diante do Senhor e contemplaremos Sua glória. Essa esperança futura muda a maneira como enfrentamos o presente.

Quando as circunstâncias são boas, sabemos que elas são temporárias e agradecemos a Deus. Quando são difíceis, também sabemos que não durarão para sempre. Nossa história não termina na tribulação. Nosso destino final está nas mãos daquele que nos justificou.

Por isso, a esperança cristã não é um simples pensamento positivo. Ela está baseada em uma Pessoa e em uma obra histórica: Jesus Cristo morreu, ressuscitou e prometeu vida eterna aos que pertencem a Ele.

Viver diariamente à luz da justificação

A doutrina da justificação não deve permanecer apenas em livros de teologia. Ela muda a vida cotidiana. Quando entendemos que nossa aceitação diante de Deus está fundamentada em Cristo, somos libertos da tentativa desesperada de provar constantemente nosso valor espiritual.

Isso produz humildade, porque sabemos que tudo recebemos pela graça. Produz gratidão, porque reconhecemos o tamanho da dívida que foi perdoada. Produz segurança, porque nossa confiança está em Cristo. E também produz desejo de santidade, porque queremos viver para aquele que nos salvou.

Cada manhã podemos lembrar: não estou tentando conquistar o amor de Deus através de meus méritos; em Cristo fui recebido pela graça. Essa certeza não nos torna negligentes, mas agradecidos. Queremos obedecer não para comprar uma posição diante de Deus, mas porque já recebemos uma nova posição por meio de Jesus.

Quando pecamos, também precisamos recordar o evangelho. O inimigo pode tentar nos conduzir a dois extremos: fazer-nos pensar que nosso pecado não importa ou fazer-nos pensar que não existe mais esperança para nós. A resposta bíblica rejeita ambos. O pecado é sério, porém a graça de Cristo é suficiente para aquele que se arrepende e confia nEle.

Uma salvação que produz gratidão

Nós éramos culpados e dignos de condenação, mas Jesus morreu e ressuscitou para nossa redenção. Essa é a mensagem central do evangelho: Cristo em nosso lugar. O justo entregando Sua vida por injustos; o Santo aproximando pecadores de Deus; o Filho oferecendo aquilo que nenhum de nós poderia oferecer.

Não existe motivo maior para gratidão. Podemos perder muitas coisas neste mundo, atravessar períodos difíceis e enfrentar circunstâncias que nunca imaginamos, mas aquele que está em Cristo possui um tesouro que nenhuma crise pode destruir: paz com Deus.

Essa paz não depende de riqueza, saúde, reconhecimento, posição social ou ausência de problemas. Todas essas coisas podem mudar rapidamente. Nossa reconciliação com Deus, entretanto, está baseada na obra perfeita do Salvador.

Que essa verdade ocupe nossos pensamentos todos os dias. Quando o orgulho aparecer, lembremo-nos da graça. Quando a culpa tentar nos esmagar depois de verdadeiro arrependimento, lembremo-nos de Cristo. Quando as tribulações chegarem, lembremo-nos da esperança. Quando recebermos bênçãos, lembremo-nos de quem merece toda a glória.

Temos paz com Deus por meio de Jesus

A mensagem de Romanos 5:1-3 continua tão necessária hoje quanto no primeiro século. O homem continua tentando justificar a si mesmo, mas o evangelho anuncia algo infinitamente melhor: Deus justifica o pecador que crê em Jesus Cristo.

Não precisamos apresentar uma coleção de méritos para comprar o favor divino. Precisamos abandonar nossa confiança em nós mesmos e descansar em Cristo. Ele é suficiente. Sua obra é perfeita. Sua cruz não necessita ser completada por nossos esforços.

Por isso, vivamos diariamente lembrando desta gloriosa verdade: fomos justificados pela fé e agora permanecemos debaixo da graça de Deus. Já não estamos procurando um caminho para conseguir paz com o Senhor por nossa própria força; temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo.

Que essa certeza encha nosso coração de reverência, gratidão e esperança. Nas alegrias, glorifiquemos a Deus. Nas dificuldades, permaneçamos firmes. Quando percebermos nossa fraqueza, olhemos novamente para Cristo. E em todos os momentos recordemos que nossa maior esperança não está em nós mesmos, mas naquele que morreu, ressuscitou e abriu para pecadores o caminho de reconciliação com o Pai.

Nesses dia Deus te segue amando
O mesmo sentimento segundo Cristo Jesus

3 comments on “Justificados pela fé

  1. Amém Meu Deus que suas palavras sejam glorificado e exaltadas para todo sempre meu querido Deus.
    A M É M

    Bom Dia

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