Hoje vemos uma multidão de pessoas usando o nome de Jesus Cristo com facilidade. Em entrevistas, premiações, redes sociais e eventos públicos, muitos dizem: “Glória a Deus”, “Obrigado, Senhor”, “Cristo é meu Salvador”. Mas, ao observarmos suas vidas, percebe-se claramente que não houve transformação alguma. Continuam vivendo de acordo com os padrões do mundo, sob a escravidão do pecado, cultivando vícios, imoralidade, soberba, arrogância e práticas que contradizem frontalmente o evangelho. Isto revela algo profundo: dizer “Senhor” não significa necessariamente que Cristo seja realmente o Senhor da vida da pessoa. O Reino de Deus não se baseia em frases bonitas, mas em vidas transformadas pela graça.
Outro grupo ainda mais perigoso é composto por aqueles que pregam nos púlpitos. Alguns têm talento, retórica, presença de palco e até são admirados por muitos. Contudo, não pregam para exaltar o nome de Cristo, e sim para se promoverem. São pessoas cujo maior desejo não é que Cristo cresça, mas que eles se tornem conhecidos. Usam o ministério como vitrine, como plataforma de influência, como palco para alimentar ego e vaidade. E, porque Deus é misericordioso, ele permite que sua Palavra produza fruto mesmo através de instrumentos indignos, mas isso não significa que estes pregadores sejam aprovados por Ele.
Jesus falou claramente sobre isso e descreveu o fim trágico daqueles que falam “Senhor” sem de fato obedecerem ao Senhor:
21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus,
mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor,
não profetizamos em teu nome?
Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’23 Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci.
Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!Mateus 7:21-23
Essa é uma das passagens mais impactantes e assustadoras do Novo Testamento. Aqui Jesus mostra que é possível realizar obras religiosas, milagres e até profecias, e mesmo assim estar completamente perdido. A chave não está no que dizemos, mas no que vivemos. Jesus não disse: “Nem todo aquele que me chama Senhor será salvo”, mas sim: “Apenas aquele que faz a vontade do meu Pai”. A verdadeira prova do cristianismo não é o discurso, mas a obediência.
Por isso, Jesus perguntou em outra ocasião: “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’, e não fazem o que eu digo?” (Lucas 6:46). Cristo não quer apenas ouvir nossa voz; Ele quer ver nossa vida. Ele deseja submissão, fidelidade, obediência e santidade. Não adianta levantar as mãos no culto se o coração está longe. Não adianta cantar hinos se não vivemos o que cantamos. Não adianta dizer “Jesus é Senhor” se Ele não é Senhor sobre nossos desejos, nossas decisões, nossos relacionamentos e nosso caráter.
Naquele grande dia, muitos homens e mulheres que tiveram notoriedade, grandes ministérios, inúmeros seguidores e agendas internacionais irão se apresentar diante de Cristo com uma lista de “obras espirituais”. Dirão: “Senhor, fizemos isso em teu nome, pregamos, curamos, expulsamos demônios, cantamos, fundamos ministérios”. Mas Jesus não ficará impressionado com currículo espiritual. O que Ele olhará será o coração — e, para muitos, a resposta será terrível: “Afastem-se de mim, eu nunca os conheci”.
A pergunta final é: queremos ser conhecidos pelos homens ou por Cristo? Prefere aplausos temporários ou aprovação eterna? Esforcemo-nos para que nossa fé seja verdadeira, para que nosso “Senhor, Senhor” seja acompanhado de obediência sincera. Permaneçamos em Cristo, guardemos Sua Palavra, vivamos em santidade, e então, naquele dia, Ele dirá: “Bem-vindo, servo bom e fiel”.