O Senhor deu, e o Senhor tirou

A história de Jó nos lembra que a fé verdadeira não desaparece quando chegam as perdas. Em meio à dor, precisamos recordar que na provação mais difícil, Deus está nos observando, sustentando-nos e formando em nós uma confiança mais profunda em Seu caráter santo e soberano.

Todos conhecemos a história de Jó, aquele homem que enfrentou uma avalanche de calamidades em um período extremamente curto. Em questão de horas, ele perdeu praticamente tudo o que possuía: suas imensas riquezas, seus servos, seus bens e até mesmo seus filhos. Era um homem íntegro e temente a Deus, mas ainda assim passou pela maior provação de sua vida. A história de Jó não é apenas um relato de sofrimento; é um exemplo profundo de fidelidade, perseverança e confiança absoluta em Deus.

Também aprendemos com Jó que, muitas vezes, precisamos passar pelo fogo da aflição para sermos testados, purificados e fortalecidos pelo Senhor. Isso não significa que toda dor seja fácil de entender ou que devamos fingir que não sofremos. Jó sofreu de verdade. Ele chorou, lamentou, rasgou suas vestes e sentiu profundamente o peso de suas perdas. Mas, no meio da dor, não abandonou o Senhor. Sua fé foi golpeada, mas não destruída.

A vida cristã não é uma promessa de ausência de sofrimento. A Bíblia nunca ensina que os justos estarão livres de perdas, enfermidades, lutas familiares ou dias de angústia. Pelo contrário, as Escrituras mostram que muitos servos fiéis passaram por vales profundos. A diferença está em que o cristão não sofre sem Deus. Ele sofre diante de Deus, sustentado por Deus e guardado pela esperança que vem de Deus.

Jó era íntegro, mas ainda assim sofreu

Uma das primeiras lições da história de Jó é que a integridade não nos torna imunes ao sofrimento. Jó não era um homem perverso, desobediente ou indiferente ao Senhor. A Bíblia o apresenta como íntegro, reto, temente a Deus e alguém que se desviava do mal. Mesmo assim, calamidades terríveis atingiram sua casa. Isso nos impede de pensar que toda dor é consequência direta de algum pecado específico.

Muitas vezes, quando alguém sofre, as pessoas procuram explicações rápidas. Perguntam o que a pessoa fez, onde errou ou por que Deus permitiu aquilo. Os amigos de Jó cometeram esse erro. Eles tentaram explicar seu sofrimento de maneira simplista, como se toda dor fosse resultado direto de uma culpa escondida. Mas o livro de Jó mostra que a realidade é mais profunda. Há sofrimentos que não conseguimos explicar completamente do lado de cá da eternidade.

Isso deve nos tornar mais humildes ao lidar com a dor dos outros. Nem sempre temos respostas. Nem sempre sabemos o motivo. Nem sempre conseguimos enxergar o que Deus está fazendo. Por isso, diante de alguém que sofre, muitas vezes a melhor atitude não é falar demais, mas estar presente, chorar com quem chora e apontar com mansidão para a fidelidade do Senhor.

Jó nos ensina que é possível ser amado por Deus e ainda atravessar dias escuros. É possível ser fiel e ainda perder coisas preciosas. É possível temer ao Senhor e ainda enfrentar dores que parecem esmagadoras. A fé verdadeira não se baseia na ausência de provações, mas na confiança de que Deus continua sendo Deus em meio a elas.

A reação de Jó diante da tragédia

Quando pensamos em Jó, lembramos não apenas de sua dor, mas também da forma como ele reagiu diante de sua tragédia. Ele não murmurou contra Deus, não acusou o Senhor de injustiça, nem permitiu que o desespero tivesse a palavra final. Pelo contrário, sua resposta foi um ato de adoração e submissão genuína ao Deus Todo-Poderoso.

Vejamos estes versículos que narram esse momento marcante:

20 Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou;

21 e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.

22 Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

Jó 1:20-22

Antes de falar, Jó expressou sua dor. Ele se levantou, rasgou seu manto e rapou sua cabeça. Esses eram sinais de luto profundo. Isso é importante porque a Bíblia não apresenta Jó como alguém insensível. Ele não fingiu que a perda não doía. Ele não colocou uma máscara espiritual para parecer forte. Ele sofreu como um homem real, ferido por perdas reais.

Mas, depois de expressar sua dor, Jó se lançou em terra e adorou. Essa cena é uma das mais impressionantes das Escrituras. O mesmo chão que poderia ser lugar de revolta se tornou lugar de adoração. O mesmo momento que poderia ter sido dominado pela acusação foi marcado por submissão. Jó chorou, mas adorou. Sofreu, mas bendisse o nome do Senhor.

O Senhor deu, e o Senhor tirou

O versículo 21 se tornou um dos textos mais lembrados da Bíblia. A frase “O Senhor deu, e o Senhor tirou” atravessou gerações como um lembrete poderoso da soberania de Deus. Jó era um homem extremamente rico, com propriedades extensas, muitos servos e grande honra em sua comunidade. Mesmo assim, quando perdeu tudo, não se desesperou como alguém sem esperança.

Ele compreendia uma verdade que muitos ignoram: chegamos ao mundo de mãos vazias e sairemos da mesma forma. Tudo o que possuímos nos foi concedido por Deus, e Ele tem autoridade para dá-lo ou tirá-lo quando quiser. Essa verdade humilha o orgulho humano. Nada é absolutamente nosso. Somos administradores temporários de coisas que pertencem ao Senhor.

Esse entendimento é essencial para nós. Vivemos em uma sociedade consumista, onde o valor de alguém muitas vezes é medido pelo que possui. Casas, carros, roupas, contas bancárias, cargos e aparência social se tornam critérios de importância. Porém, para o cristão, os bens materiais não devem ocupar o primeiro lugar. A vida é passageira, e nada levaremos deste mundo.

Quando compreendemos isso profundamente, vivemos com mais leveza e liberdade. Não ficamos escravizados pela ansiedade de ganhar mais, nem destruídos pela perda temporária de algo. Assim como Jó, aprendemos a confiar, sabendo que tudo está nas mãos de Deus. O cristão pode agradecer na abundância e continuar crendo na escassez, porque seu tesouro maior não está nas coisas deste mundo.

A fé madura reconhece a soberania de Deus

Ao declarar “O Senhor deu, e o Senhor tirou”, Jó demonstra uma fé madura e sólida. Ele reconhece que Deus é soberano tanto nos momentos de abundância quanto nos momentos de escassez. Se louvamos a Deus quando Ele nos abençoa, devemos também continuar louvando quando Ele permite que algo nos seja tirado. Não porque a dor seja agradável, mas porque sabemos que Deus continua sendo bom, justo e digno de louvor, mesmo quando não entendemos Seus propósitos.

A soberania de Deus é uma doutrina profundamente consoladora. Ela nos ensina que nada acontece fora do alcance do Senhor. Isso não significa que entendemos todos os detalhes do sofrimento, mas significa que não vivemos entregues ao acaso. O mundo pode parecer confuso, mas Deus reina. As perdas podem parecer sem sentido, mas Deus não perdeu o controle. As lágrimas podem ser muitas, mas nenhuma delas é invisível ao Senhor.

Confiar na soberania de Deus não é negar a dor. É reconhecer que a dor não é maior que Deus. É saber que o Senhor vê mais longe do que nós, sabe mais do que nós e governa com sabedoria perfeita. Muitas vezes, queremos respostas imediatas, mas Deus nos chama primeiro à confiança. Antes de entendermos tudo, somos chamados a descansar em quem Ele é.

Essa fé não nasce de frases bonitas, mas de um relacionamento real com Deus. Quem conhece o Senhor aprende que Sua bondade não depende das circunstâncias. Ele é bom quando dá e continua sendo bom quando permite perdas. Ele é digno de adoração quando abre portas e continua digno quando fecha caminhos. A fé madura aprende a bendizer o nome do Senhor em todos os tempos.

As perdas revelam onde está nosso coração

As perdas têm o poder de revelar o que realmente ocupa o nosso coração. Quando tudo está bem, é fácil dizer que Deus é o centro. Mas quando algo nos é tirado, descobrimos se nossa esperança estava no Senhor ou nas coisas que Ele nos deu. Jó perdeu bens, filhos e estabilidade, mas sua primeira reação foi adorar. Isso mostra que, embora tivesse muitas riquezas, seu coração não era governado por elas.

Esse ponto deve nos levar a um exame sincero. O que aconteceria se Deus permitisse que algo precioso fosse removido da nossa vida? Nossa fé permaneceria? Continuaríamos dizendo que o Senhor é bom? Conseguiríamos adorar mesmo sem entender? Essas perguntas não são fáceis, mas são necessárias. Elas expõem os ídolos escondidos do coração.

Muitas coisas boas podem se tornar ídolos quando ocupam o lugar de Deus. Família, trabalho, saúde, estabilidade, ministério, sonhos e bens materiais são presentes do Senhor, mas não podem ser nosso fundamento final. Quando transformamos dádivas em deuses, qualquer perda nos destrói. Mas quando Deus é nosso maior tesouro, até as perdas mais dolorosas não conseguem arrancar nossa esperança eterna.

Por isso, Jesus nos ensinou a ajuntar tesouros no céu. Tudo aqui é passageiro. As riquezas podem desaparecer, a saúde pode falhar, pessoas podem partir, planos podem mudar. Mas aquilo que está guardado em Deus permanece. A história de Jó nos lembra que a vida não pode ser construída sobre o que pode ser tirado, mas sobre o Deus que permanece para sempre.

Sentir dor não é falta de fé

Outro ponto importante é perceber que Jó sofreu profundamente. Ele não foi um homem frio, indiferente ou emocionalmente vazio. A fé verdadeira não elimina lágrimas. A Bíblia não ensina que o crente fiel nunca se entristece. Pelo contrário, ela nos mostra servos de Deus chorando, lamentando, clamando e perguntando. Sentir dor não é falta de fé; falta de fé é abandonar Deus por causa da dor.

Há cristãos que se sentem culpados por sofrer. Pensam que, se tivessem mais fé, não chorariam. Mas isso não é bíblico. Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro. Davi derramou seu coração nos salmos. Jeremias lamentou. Paulo enfrentou angústias. O próprio Jó rasgou o manto e rapou a cabeça. A dor faz parte da experiência humana em um mundo caído.

O que diferencia a fé cristã não é a ausência de lágrimas, mas a direção das lágrimas. O cristão chora diante de Deus. Ele lamenta sem deixar de crer. Ele pergunta sem abandonar a reverência. Ele sofre sem perder a esperança final. Há espaço na vida cristã para lamento sincero, desde que esse lamento não se transforme em acusação arrogante contra o Senhor.

Por isso, não devemos desprezar pessoas que sofrem. Devemos consolá-las com verdade e compaixão. A dor precisa ser acolhida, não tratada com frases rápidas e superficiais. A esperança bíblica não ignora o sofrimento; ela o atravessa com os olhos fixos no Deus fiel.

Em tudo isso Jó não pecou

Outro ponto impressionante no texto é que Jó, apesar de tudo que viveu, “não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”. Isto nos mostra que a verdadeira fé não depende das circunstâncias. A fé genuína permanece firme mesmo nos períodos mais escuros, porque está ancorada no caráter imutável de Deus. Jó não se afastou do Senhor por causa das perdas; pelo contrário, prostrou-se em adoração.

Não atribuir falta a Deus significa não acusá-Lo de injustiça. Jó não entendeu tudo o que estava acontecendo, mas não colocou Deus no banco dos réus. Essa é uma lição difícil. Em tempos de sofrimento, somos tentados a julgar Deus com base em nossa dor. Queremos explicar tudo, exigir respostas, medir a bondade divina pelo conforto imediato. Mas Jó nos ensina a reverência.

A fé reverente reconhece que Deus é justo mesmo quando não conseguimos compreender Seus caminhos. Ela confessa que o Senhor é sábio mesmo quando a situação parece sem sentido. Ela adora não porque a dor desapareceu, mas porque Deus continua sendo digno. Essa é uma fé preciosa, provada no fogo da aflição.

Isso não significa que nunca teremos perguntas. O livro de Jó mostra que ele teve muitos questionamentos ao longo de seu sofrimento. Mas existe diferença entre questionar com dor e acusar com rebeldia. O coração quebrantado pode dizer: “Senhor, eu não entendo”. O coração rebelde diz: “Senhor, Tu estás errado”. Jó sofreu, mas não atribuiu injustiça a Deus.

Deus permanece fiel nas perdas

Quando passamos por perdas, uma das tentações mais fortes é imaginar que Deus nos abandonou. A mente começa a perguntar: “Se Deus me ama, por que isso aconteceu?”. Essa pergunta é humana e compreensível, mas não devemos permitir que ela nos conduza à incredulidade. A fidelidade de Deus não deve ser medida apenas pelo conforto terreno. Ele continua fiel mesmo quando permite vales profundos.

A fidelidade divina é maior do que nossas circunstâncias. Deus não deixa de ser Pai quando disciplina, quando prova, quando permite espera ou quando nos conduz por caminhos que não escolheríamos. Ele sabe o que faz, mesmo quando não conseguimos ver. Por isso, a história de Jó nos chama a confiar não apenas nas mãos de Deus quando elas dão, mas também quando elas permitem que algo seja retirado.

Essa confiança é fortalecida quando lembramos quem Deus é. Ele não mente, não falha, não se esquece dos Seus e não age com maldade. Sua sabedoria é perfeita. Seu amor é santo. Sua justiça é limpa. Sua misericórdia é real. Por isso, mesmo quando não temos explicações, temos o caráter de Deus como fundamento. Podemos descansar porque o Senhor, nosso Deus, é fiel.

A fidelidade de Deus não significa que Ele fará tudo exatamente como desejamos. Significa que Ele cumprirá Seus propósitos santos e sustentará Seu povo até o fim. Às vezes, Ele restaura rapidamente. Às vezes, nos ensina a esperar. Às vezes, muda a circunstância. Às vezes, muda nosso coração dentro da circunstância. Em tudo, Ele permanece fiel.

Deus vê cada lágrima

A história de Jó também nos lembra que nenhuma lágrima do justo é invisível para Deus. Quando estamos sofrendo, podemos sentir que ninguém entende completamente. As pessoas podem tentar ajudar, mas nem sempre conseguem medir a profundidade da dor. Algumas até falam palavras inadequadas, como os amigos de Jó. Mas Deus vê tudo. Ele conhece cada lágrima, cada noite sem sono, cada suspiro e cada oração interrompida pelo choro.

Esse consolo é precioso. Nosso sofrimento não é desprezado pelo Senhor. Ele não trata nossa dor com frieza. O Deus soberano também é compassivo. Ele sabe o que perdemos, conhece o que sentimos e entende aquilo que não conseguimos explicar. A dor pode parecer solitária, mas o cristão nunca sofre fora da presença de Deus.

Por isso, devemos levar nossas lágrimas ao Senhor. Não precisamos esconder a dor. Podemos orar com sinceridade, lamentar com reverência e pedir força para continuar. Deus não rejeita o coração contrito. Ele sustenta os abatidos e renova aqueles que se aproximam Dele com fé. Como nos lembra a Escritura, o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.

Quando pensamos nas lágrimas de Jó, também precisamos lembrar que Deus não desperdiça o sofrimento dos Seus filhos. Ele usa até as dores mais profundas para produzir maturidade, dependência e esperança. Isso não torna a dor pequena, mas nos mostra que ela não é sem propósito nas mãos do Senhor.

A provação revela a qualidade da fé

A provação não cria uma fé falsa; ela revela se a fé é verdadeira. Quando tudo está bem, muitas pessoas parecem firmes. Mas quando chegam perdas, críticas, doenças, frustrações e silêncio, a fé é testada. Jó foi colocado em uma situação extrema, e sua reação revelou que sua devoção a Deus não dependia apenas das bênçãos recebidas.

Essa é uma pergunta importante para nós: servimos a Deus por quem Ele é ou apenas pelo que Ele nos dá? Se Deus permite escassez, ainda O adoramos? Se as respostas demoram, ainda confiamos? Se um plano cai por terra, ainda dizemos “bendito seja o nome do Senhor”? Essas perguntas expõem a profundidade da nossa fé.

A fé verdadeira não é interesseira. Ela ama a Deus acima dos presentes de Deus. Ela agradece as bênçãos, mas não transforma as bênçãos em ídolos. Ela se alegra quando Deus dá, mas continua se curvando quando Deus tira. Isso só é possível pela graça, porque naturalmente nosso coração se apega ao que é visível.

Por isso, devemos pedir ao Senhor uma fé purificada. Uma fé que não dependa de circunstâncias perfeitas. Uma fé que permaneça quando a casa está cheia e quando fica vazia. Uma fé que adore no monte e no vale. Uma fé que diga, como Jó: “bendito seja o nome do Senhor”.

O sofrimento nos ensina a depender de Deus

Quando tudo parece seguro, podemos cair na ilusão de autossuficiência. Achamos que controlamos nossa vida, nossos bens, nossos planos e nosso futuro. Mas a provação derruba essa ilusão. Ela nos lembra que somos frágeis, que tudo é passageiro e que dependemos completamente do Senhor. Essa lembrança é dolorosa, mas também é necessária.

Jó perdeu aquilo que muitos considerariam sua segurança: riqueza, família, posição e saúde. Mas, no meio dessa perda, sua vida apontou para uma segurança maior. Ele não estava sustentado apenas por bens, mas pelo Deus vivo. Essa é uma das grandes lições do sofrimento: ele remove falsos apoios e nos ensina a descansar no único fundamento que não pode ser abalado.

A dependência de Deus não é fraqueza espiritual; é maturidade. O cristão maduro sabe que não consegue sustentar a si mesmo. Ele precisa da graça diária, da Palavra, da oração e do consolo do Espírito. Por isso, nas provações, devemos nos aproximar ainda mais do Senhor. A dor pode nos endurecer ou nos quebrantar. Que ela nos quebre diante de Deus, não contra Deus.

Quando dependemos do Senhor, encontramos força para continuar mesmo sem entender tudo. Podemos dar o próximo passo, cumprir a próxima responsabilidade, orar a próxima oração e permanecer fiéis no próximo dia. A graça de Deus frequentemente nos sustenta assim: passo a passo, dia após dia, até que percebemos que Ele nunca nos abandonou.

O Senhor está conosco no vale

Jó não tinha todas as respostas, mas não estava fora do alcance de Deus. Da mesma forma, quando atravessamos perdas e aflições, precisamos lembrar que o Senhor está conosco. Ele não é Deus apenas dos dias de festa, mas também dos dias de luto. Não é Deus apenas da abundância, mas também da escassez. Não é Deus apenas quando entendemos, mas também quando tudo parece confuso.

A presença de Deus é mais preciosa do que explicações completas. Muitas vezes, queremos entender antes de confiar. Mas a fé aprende a confiar mesmo antes de entender. O Senhor não promete responder a cada pergunta no tempo que desejamos, mas promete estar com Seu povo. E Sua presença é suficiente para sustentar a alma no vale.

Por isso, em meio à dor, devemos recordar que o Senhor está conosco. Essa verdade não elimina automaticamente as lágrimas, mas impede que o desespero tenha domínio absoluto. Se Deus está conosco, não estamos abandonados. Se Ele nos sustenta, a dor não terá a palavra final. Se Ele governa, até o sofrimento está debaixo de Seu senhorio.

A presença de Deus transforma o modo como atravessamos as provações. Podemos chorar, mas não como quem não tem esperança. Podemos lamentar, mas não como quem foi esquecido. Podemos esperar, mas não como quem está sozinho. O Senhor caminha com os Seus, mesmo quando a estrada é escura.

A restauração pertence ao Senhor

Ao final do livro, vemos que Deus restaurou Jó. No entanto, é importante lembrar que a fidelidade de Jó não deve ser reduzida à restauração material posterior. Ele não adorou porque já sabia que receberia tudo de volta. Ele adorou no chão da perda, antes de qualquer restituição visível. Isso torna sua fé ainda mais preciosa.

Deus pode restaurar o que foi perdido. Ele pode abrir portas, curar feridas, reconstruir histórias e trazer alegria depois de longas noites de choro. Mas nossa adoração não deve depender de garantias imediatas. Devemos adorar porque Deus é digno, não apenas porque esperamos receber algo em troca.

Mesmo quando Deus restaura, a dor vivida não é simplesmente apagada como se nunca tivesse existido. Jó jamais esqueceria seus filhos perdidos. Sua história foi marcada por lágrimas reais. Isso nos ensina a não tratar a restauração de forma superficial. Deus cura, consola e renova, mas Ele também respeita a profundidade das dores humanas.

A maior restauração prometida ao povo de Deus é final e eterna. Um dia, em Cristo, toda lágrima será enxugada. Toda dor será vencida. Toda perda será colocada sob a luz da glória. O sofrimento presente não pode ser comparado com a glória que será revelada. Essa esperança sustenta o cristão enquanto ainda caminha em um mundo quebrado.

Bendizer o Senhor em todos os tempos

Assim como Jó, devemos pedir diariamente ao Senhor que nos mantenha firmes, fortaleça nossa fé e nos sustente diante de qualquer adversidade. As provas virão, mas Deus permanece com Seus olhos sobre nós. Ele conhece nossa estrutura, nossas limitações e nossas dores. Não há sofrimento invisível para o Senhor.

Bendizer o Senhor em todos os tempos não significa gostar da dor. Significa reconhecer que Deus continua sendo digno de louvor mesmo quando a dor existe. Significa confessar que Ele é Senhor tanto quando temos quanto quando perdemos. Significa crer que Sua bondade não desaparece quando as circunstâncias se tornam difíceis.

Essa adoração é uma obra da graça em nós. Naturalmente, nosso coração tende a murmurar, acusar e se desesperar. Mas o Espírito Santo nos fortalece para responder de maneira diferente. Ele nos ajuda a olhar para Deus acima das circunstâncias e a encontrar descanso no caráter do Senhor. Por isso, precisamos orar por um coração que adore mesmo no vale.

Que possamos aprender com este grande homem de Deus a bendizer o Senhor em todos os tempos. Que nossa fé não seja construída apenas sobre os dias bons, mas sobre a verdade imutável de quem Deus é. Que sejamos encontrados fiéis, não porque somos fortes em nós mesmos, mas porque o Senhor nos sustenta.

Conclusão: Deus continua sendo bom

A história de Jó nos ensina que a fé verdadeira pode atravessar perdas profundas sem abandonar Deus. Ela nos mostra que sentir dor não é falta de fé, que a soberania divina continua firme, que a adoração pode brotar no chão do sofrimento e que Deus permanece digno mesmo quando não entendemos Seus caminhos.

Talvez você esteja atravessando uma estação difícil. Talvez tenha perdido algo precioso, enfrentado uma decepção profunda ou sentido que sua vida mudou rapidamente. Lembre-se: o Senhor vê você. Ele conhece sua dor. Ele não desperdiça suas lágrimas. Ele é poderoso para sustentar, restaurar e conduzir cada passo da sua vida.

Não permita que a perda defina sua fé. Permita que a fidelidade de Deus sustente sua alma. Diga, mesmo com lágrimas: “O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor”. Essa não é uma frase de indiferença, mas de confiança. É a confissão de quem sabe que Deus reina, que Deus vê e que Deus continua sendo bom.

Que o Senhor nos conceda uma fé como a de Jó: humilde na dor, reverente diante do mistério, firme em meio às perdas e cheia de adoração ao Deus soberano. E que, em todas as estações da vida, possamos bendizer o nome do Senhor, certos de que Ele é fiel para guardar os Seus até o fim.

Deleita-te no Senhor
O perverso de coração jamais achará o bem

45 comments on “O Senhor deu, e o Senhor tirou

  1. Como disse Jó, viemos nús do ventre de nossas mães e para la voltaremos da mesma forma. Nesta vida não nos devemos apegar muito aos bens materiais, mais sim devemos sim criar riqueza espiritual. DEUS pai todo poderoso concedei-me a graça de sempre caminhar do lado da justiça divina. Em nome santo de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém
    ALELUIA

  2. Deus eu te amo e te adoro. Perdoa meu Senhor os meus pecados, em nome de Jesus! A ti entreguei a minha vida meu Senhor e meu Deus e peço que faças com que eu e minha família sigamos os teus mandamentos. Agradeço a vos meu Deus por todas as bênçãos que tem me dado e em nome de Jesus te peço que cada vez mais aumente a minha fé em ti Senhor! Amém!

  3. Glorificado seja seu Santo nome Senhor
    O Senhor sabe de todas as coisas às vezes passamos por situações de perda para chegar mais perto de ti Deus muito obrigado te agradeço em nome do Senhor Jesus Cristo 🙏🙏🙏

  4. Muitas das vezes precisamos passar pela prova para saber o valor de Deus em nossas vidas, independente de qualquer situação, a ele seja dada toda honra, toda glória, todo louvor e toda exaltação

  5. Temos que ter tudo,imóveis carros, festas e tudo que a vida tem a oferecer,mas estas coisas tevem ser nossas,não,nos escravos destas coisas,a nossa vida e nossos bens pertence ao senhor Jesus Cristo, e para serviço dele,amém.

  6. Bom dia irmãos ele dá e podem tira tudo Deus e bom nós não brinca com Deus amém meu pai mim perdoar a minha farlhia amém

  7. Precisamos entender que nao somos donos de nada terreno . tudo que possuímos é por permissão de Deus . nosso lar , é no céu !
    Cuidamos, usurfrui-mos, mas temos a convicção do nosso verdadeiro lugar

  8. Irmãos ,eu estou afastado de Deus há algum tempo, e ñ tenho forças nem me sinto merecedor de sua misericórdia. Estou sofrendo muito.

    1. Não sofra irmão, pois isso não provém de Deus, e com certeza Deus já está trabalhando e vai te dar forças para voltar a seguir a palavra dele. Creia e tenha fé sempre! Pois Deus NUNCA nos abandona, e SEMPRE nos ouve. Amém? 🙏🏻

  9. Deus o senhor é maravilhoso em minha vida, e só tenho a te agradecer senhor, te agradeço em nome de Jesus, desde a minha vida e a vida da minha família, e tudo que o senhor me concedeu que eu tivesse, muito obrigada por tudo meu Deus 🙌🏻 🙏🏻 E se o senhor me tirar, agradecerei da mesma forma, pois sei que o senhor só nos tira o que não nos servirá ou que não nos fará bem. amém Deus 🙌🏻🙏🏻

  10. Eu amo a Deus mais do que tudo. Peço a Deus que me dê sabedoria de Tua palavra, para que tenha pelo menos um pouquinha da fé de Jó.

  11. Nós apeguemos a Deus no lugar de nos apegarmos a bens materiais, pois Deus é o nosso pai e o ser que temos que amar mais que qualquer outra coisa no mundo pelo tanto de bençãos que Ele nos concedeu. Sejamos sempre gratos por tudo que temos e saibamos que mesmo que se perdemos o que conquistamos, ficaremos bem porque Deus está conosco. Amém!

  12. Gratidão é a palavra que tenho hoje para agradecer ao meu Deus todo poderoso e misericordioso. Pai, em.nome de Jesus, meu Senhor e Salvador, agradeço pelas reiteradas bênçãos querem me dado. Fazei com que eu e minha família permaneçamos Unidos para sempre Te glorificar e te amar, seguindo a Tua Palavra para que possamos herdar a vida eterna ao Teu lado Senhor. Obrigado Jesus por segurar as minhas mãos todos os dias e me ensinar o verdadeiro caminho da salvação. Toda honra e toda a gloria seja dada a Ti Senhor! Glória a Deus Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!

  13. Amém! Obrigado meu Deus por tudo, sou muito grato a tudo que o Senhor me deu, embora nós ñ somos dono de nada é tudo do Senhor nós somos apenas administrador gratidão meu Deus e o quão Tu és poderoso, maravilhoso e misericordioso, pois Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza a Ti toda honra e toda glória agora e para sempre. Louvado seja Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Amém. Te amo e te adoro Jesus de todo meu coração 🙏🙏

  14. Da mesma forma que Deus presenteia aqueles que não possuem nada com grandes bonanças, Ele também tira daqueles que tem um bom patrimônio, pois muitas vezes é mal administrado ou o dono visava e amava mais seus bens do que sua relação com o Senhor. É de suma importância sermos gratos e valorizarmos aquilo que temos hoje, afinal, não levamos nada desta vida além do nosso caráter e bom coração. Amém!

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