A primeira coisa que precisamos entender é que a única maneira de obter a salvação é através da morte de Cristo na cruz. Não existe outro caminho, outra fórmula ou alternativa humana que possa nos reconciliar com Deus. A salvação não é conquistada pelas nossas forças, nem obtida através de boas obras, sacrifícios pessoais ou méritos próprios. A única obra que satisfez plenamente a justiça divina foi a obra consumada de Cristo no Calvário. Seu sangue derramado, Sua vida entregue e Sua ressurreição dentre os mortos são o fundamento da nossa fé e a única base para a nossa esperança eterna. Tudo o que somos e tudo o que temos espiritualmente provém dessa obra soberana e graciosa. Deus é quem salva, e tentar nos salvar por nossas próprias forças é uma tentativa condenada ao fracasso desde o início.
Se entendemos esta verdade, também precisamos compreender outra: embora a salvação não seja pelas obras, o cristão salvo manifestará boas obras. Não somos salvos por elas, mas somos salvos para elas. A fé verdadeira sempre produz transformação, e essa transformação se evidencia no modo como vivemos, pensamos, falamos e nos relacionamos com os outros. Um cristão que nasceu de novo não pode permanecer na mesma vida de antes, porque agora o Espírito Santo habita nele, moldando seu caráter para refletir Cristo.
Isso significa abandonar práticas antigas e abraçar a nova vida em Cristo. Por isso, Pedro nos exorta dizendo:
Descartando, então, toda malícia, todo engano, hipocrisia, inveja e todas as detrações,
2 Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação,
3 agora que provaram que o Senhor é bom.
1 Pedro 2:2-3
Aqui, Pedro nos chama a abandonar atitudes que contradizem a fé cristã: malícia, engano, hipocrisia, inveja e palavras destrutivas. Essas coisas não combinam com quem foi regenerado pelo Espírito. Deus não apenas nos salva; Ele também nos transforma e nos chama a viver de forma digna da vocação que recebemos.
O apóstolo usa uma ilustração poderosa: “como crianças recém-nascidas, desejem o leite espiritual puro”. Uma criança recém-nascida não apenas aceita o leite — ela o deseja desesperadamente, porque sabe que sua vida depende disso. Da mesma forma, o verdadeiro cristão anseia pela Palavra de Deus. Ele sente fome dela, tem sede dela, sabe que sua saúde espiritual depende dela. Assim como o alimento sustenta o corpo físico, a Palavra sustenta o espírito. É impossível crescer espiritualmente sem ela.
Se realmente provamos que o Senhor é bom — e Pedro diz que provamos — então nosso coração naturalmente deseja mais Dele. A maior marca de alguém que nasceu de novo não é apenas frequentar uma igreja ou ter um título religioso, mas amar profundamente a Palavra de Deus. É nela que encontramos consolo, correção, sabedoria, direção e revelação do caráter de Cristo.
Portanto, devemos continuar crescendo “para a salvação”, ou seja, amadurecendo na fé, desenvolvendo o caráter de Cristo, vivendo de forma coerente com a graça que recebemos. Esse crescimento não é automático; é diário, intencional e alimentado pela Escritura e pela comunhão com Deus.
Nunca esqueçamos que não existe nada mais valioso do que nosso Deus. Ele derramou Seu precioso sangue por nós na cruz, nos resgatou da morte eterna e nos deu acesso à vida eterna. Nada do que fizermos poderá pagar esse amor, mas podemos responder vivendo uma vida submissa à Sua vontade, fiel à Sua Palavra e cheia de gratidão. Crescer na salvação é viver para Ele, por Ele e através Dele, até o dia em que O veremos face a face.