Aquele que recolhe com mão laboriosa aumenta sua riqueza

O livro de Provérbios contém ensinamentos preciosos sobre caráter, relacionamentos, dinheiro e trabalho. Suas palavras mostram que a sabedoria possui mais valor do que o ouro, pois nos ajuda a tomar decisões honestas e a evitar caminhos que parecem lucrativos, mas terminam em destruição.

Provérbios não foi escrito apenas para transmitir pensamentos bonitos ou frases que possam ser repetidas em momentos especiais. Seu propósito é formar pessoas sábias, capazes de temer a Deus e aplicar Sua verdade nas situações comuns da vida.

O livro fala sobre família, amizades, palavras, preguiça, disciplina, generosidade, orgulho e administração dos bens. Isso demonstra que a fé bíblica não está limitada ao culto ou à oração. Ela também deve governar a maneira como trabalhamos, recebemos dinheiro, cumprimos compromissos e tratamos aqueles que dependem de nós.

Grande parte dos provérbios está associada a Salomão, filho de Davi e rei de Israel. Deus lhe concedeu sabedoria extraordinária, e muitas de suas palavras foram preservadas para instruir as gerações seguintes.

Entretanto, não devemos afirmar que Salomão viveu perfeitamente todos os ensinamentos que registrou. A própria Bíblia relata que, no final de sua vida, ele permitiu que mulheres estrangeiras inclinassem seu coração para a idolatria.

Essa realidade não elimina a inspiração e a autoridade dos provérbios. Pelo contrário, recorda-nos que até uma pessoa muito sábia precisa continuar obedecendo. Conhecer a verdade não substitui a perseverança em praticá-la.

A luz dos justos alegra, mas a candeia dos ímpios se apagará.

Provérbios 13:9

Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.

Provérbios 13:10

A fazenda que procede da vaidade diminuirá, mas quem a ajunta pelo trabalho terá aumento.

Provérbios 13:11

Três áreas importantes da sabedoria

Provérbios 13:9-11 reúne três temas que estão profundamente relacionados: o caráter do justo, o perigo da soberba e a maneira correta de adquirir bens.

O versículo 9 contrasta a luz do justo com a lâmpada do perverso. O versículo 10 mostra que o orgulho produz conflitos, enquanto a sabedoria é encontrada entre aqueles que aceitam conselhos. O versículo 11 compara a riqueza obtida de maneira vazia ou precipitada com aquela construída pouco a pouco pelo trabalho.

Esses ensinamentos mostram que Deus não avalia apenas os resultados exteriores. Ele considera o caminho escolhido, as motivações do coração e o caráter formado durante o processo.

Uma pessoa pode conseguir dinheiro rapidamente e, ainda assim, destruir sua consciência. Pode vencer uma discussão e perder um relacionamento. Pode parecer brilhante durante algum tempo, mas estar construindo sobre um fundamento frágil.

A sabedoria bíblica nos ensina a pensar além do benefício imediato. Ela pergunta quais consequências determinada escolha produzirá, se o caminho honra a Deus e se podemos percorrê-lo com consciência limpa.

A luz dos justos alegra

A luz é uma imagem frequente nas Escrituras. Ela representa vida, direção, esperança e testemunho. Quando Provérbios afirma que a luz dos justos alegra, descreve uma vida marcada pela presença e pela sabedoria de Deus.

O justo não é alguém que nunca comete pecado. Nenhum ser humano possui justiça perfeita em si mesmo. No sentido pleno do Evangelho, somos declarados justos pela fé em Jesus Cristo, que viveu sem pecado e morreu em lugar de Seu povo.

Essa justificação começa a produzir frutos. O cristão passa a desejar uma vida honesta, abandona práticas antigas e procura refletir o caráter de Cristo.

Sua luz alegra porque suas atitudes trazem segurança. Um trabalhador honesto não precisa inventar continuamente novas histórias para esconder uma fraude. Um chefe justo não constrói sua empresa sobre o medo. Um comerciante íntegro procura tratar clientes e fornecedores com verdade.

Essa luz não significa fama. Muitas pessoas justas vivem de maneira simples e nunca recebem reconhecimento público. Contudo, sua presença abençoa a família, o trabalho e a igreja.

A candeia dos ímpios se apagará

Em contraste, a candeia dos ímpios será apagada. Durante algum tempo, a vida do perverso pode parecer brilhante. Ele pode possuir dinheiro, influência e oportunidades.

Entretanto, sua luz não possui fundamento eterno. Aquilo que foi construído pela mentira depende de a mentira nunca ser descoberta. A riqueza obtida pela exploração depende da continuação da injustiça.

Mais cedo ou mais tarde, a fragilidade aparece. Um acordo ilegal é revelado, uma relação de confiança é quebrada ou a própria consciência se torna um lugar de inquietação.

Mesmo quando o perverso não enfrenta todas as consequências nesta vida, seu sucesso permanece temporário. A morte o separará de suas posses, e ele comparecerá diante do julgamento de Deus.

Essa verdade não deve produzir prazer diante da possível queda de alguém. O cristão deseja arrependimento e salvação. Contudo, ela nos impede de invejar uma prosperidade que está caminhando para o fim.

O sucesso exterior não revela toda a realidade

Frequentemente avaliamos as pessoas apenas por aquilo que conseguimos ver. Observamos a casa, o carro, as viagens e o crescimento profissional, mas não conhecemos os meios utilizados nem a condição do coração.

As redes sociais aumentam essa ilusão. Alguém pode selecionar cuidadosamente imagens de prosperidade enquanto esconde dívidas, conflitos e medo.

Por isso, não devemos concluir que todo rico foi abençoado por sua fidelidade nem que toda pessoa com poucos recursos está debaixo da desaprovação divina.

A Bíblia apresenta homens ímpios que enriqueceram e servos fiéis que passaram por necessidades. A quantidade de bens não é uma medida infalível da condição espiritual.

A pergunta mais importante não é apenas quanto alguém possui, mas como adquiriu, como administra e qual lugar o dinheiro ocupa em seu coração.

A soberba produz contenda

Provérbios 13:10 afirma que da soberba procede a contenda. Muitos conflitos começam não porque exista uma questão impossível de resolver, mas porque nenhuma das partes deseja ceder, ouvir ou reconhecer seus erros.

A pessoa soberba precisa estar sempre certa. Ela interpreta qualquer conselho como ataque, qualquer discordância como desrespeito e qualquer correção como tentativa de humilhação.

No ambiente de trabalho, o orgulho pode impedir alguém de reconhecer uma decisão equivocada. Em vez de corrigir rapidamente o erro, a pessoa procura culpados e agrava o problema.

Na família, a soberba mantém conflitos durante anos. Uma frase simples como “eu errei” poderia abrir caminho para reconciliação, mas o orgulho prefere preservar a imagem.

Na igreja, a contenda pode surgir quando pessoas transformam posições, dons e opiniões em instrumentos de competição. O serviço deixa de ser feito para a glória de Cristo e passa a alimentar vaidade.

Por isso, devemos aprender a realizar todas as coisas com humildade, reconhecendo que dependemos de Deus e também podemos aprender com outras pessoas.

O orgulho também afeta as decisões financeiras

A soberba não aparece apenas nas discussões. Ela também influencia a maneira como lidamos com o dinheiro.

Algumas pessoas gastam além de suas possibilidades para manter uma aparência de sucesso. Compram aquilo que não podem pagar porque desejam impressionar conhecidos ou acompanhar determinado padrão social.

Outras recusam conselhos financeiros porque acreditam saber tudo. Não fazem orçamento, ignoram dívidas e tratam advertências como pessimismo.

Há também quem procure enriquecer rapidamente porque considera humilhante crescer pouco a pouco. O orgulho não aceita o processo comum de trabalhar, economizar e esperar.

Essas atitudes podem conduzir a empréstimos irresponsáveis, investimentos que não foram compreendidos e compromissos maiores do que a renda.

A humildade reconhece limites. Ela pergunta, pesquisa, ouve pessoas experientes e admite quando não possui conhecimento suficiente.

Com os que se aconselham está a sabedoria

O contraste apresentado por Salomão é claro: a soberba produz contenda, mas a sabedoria está com aqueles que recebem conselhos.

Aceitar conselho não significa obedecer automaticamente a toda opinião. Existem conselhos ruins, manipuladores e contrários às Escrituras.

A pessoa sábia ouve, examina e compara aquilo que recebeu com a Palavra de Deus e com os fatos disponíveis.

Em decisões importantes, é prudente procurar pessoas maduras e honestas. Um conselho externo pode revelar riscos que nossa emoção não permite enxergar.

Isso é especialmente útil antes de iniciar um negócio, assumir uma dívida, mudar de emprego ou realizar um investimento significativo.

Quem está muito envolvido emocionalmente pode destacar apenas as possíveis vantagens. Um conselheiro equilibrado pode ajudar a calcular custos, identificar perigos e considerar alternativas.

Nem todo conselheiro é sábio

A Bíblia valoriza conselhos, mas também nos chama ao discernimento. Roboão, filho de Salomão, ouviu dois grupos. Os anciãos recomendaram moderação, enquanto os jovens incentivaram uma resposta arrogante.

Ele escolheu o conselho que alimentava seu orgulho, e o reino foi dividido. Isso demonstra que procurar opiniões não é suficiente; precisamos avaliar a qualidade e as motivações de quem aconselha.

Um bom conselheiro não diz apenas aquilo que desejamos ouvir. Ele possui coragem para apresentar uma advertência e não depende de nossa aprovação.

Também devemos evitar receber orientação financeira de pessoas que lucram diretamente com nossa decisão sem compreender claramente o conflito de interesses.

A sabedoria pergunta se o conselho é verdadeiro, prudente, legal e coerente com os princípios cristãos.

A riqueza obtida pela vaidade diminui

Provérbios 13:11 declara que a riqueza procedente da vaidade diminuirá. A expressão pode transmitir a ideia de bens obtidos rapidamente, sem substância ou por meios enganosos.

Isso inclui fraudes, golpes, corrupção, jogos de engano e promessas de lucro fácil que escondem riscos. O dinheiro pode chegar rapidamente, mas não possui um fundamento seguro.

Quem recebe muito sem desenvolver disciplina também pode gastar rapidamente. Não aprendeu a administrar, esperar ou distinguir necessidade de desejo.

Além disso, dinheiro ilícito costuma trazer novos problemas. A pessoa precisa esconder sua origem, teme investigações e pode envolver-se em práticas ainda mais graves para proteger aquilo que conquistou.

A Escritura não ensina que todo dinheiro ganho rapidamente seja necessariamente pecaminoso. Uma pessoa pode vender legitimamente um bem, receber uma herança ou alcançar um lucro inesperado.

O problema está na vaidade, no engano e na expectativa de prosperar sem responsabilidade ou por meio da injustiça.

O perigo das promessas de enriquecimento rápido

Em diferentes épocas, pessoas exploraram o desejo humano de enriquecer rapidamente. Hoje, essas promessas aparecem em redes sociais, cursos, investimentos duvidosos e esquemas que oferecem rendimentos extraordinários sem explicar os riscos.

A prudência não rejeita toda oportunidade nova. Contudo, pergunta de onde virá o lucro, qual atividade real o sustenta e por que alguém estaria oferecendo ganhos tão elevados.

Também é importante verificar se o negócio depende principalmente da entrada contínua de novos participantes. Muitos esquemas parecem funcionar no início porque usam o dinheiro dos recém-chegados para pagar os anteriores.

O desejo de lucro pode silenciar perguntas necessárias. A pessoa enxerga os testemunhos de sucesso e ignora os sinais de perigo.

Provérbios nos chama a desconfiar daquilo que promete riqueza sem processo, sem trabalho e sem explicação transparente.

Dinheiro mal adquirido não traz verdadeira segurança

O dinheiro pode comprar alimento, moradia, transporte e muitos recursos úteis. Entretanto, não consegue transformar uma origem injusta em algo honroso.

Uma pessoa pode desfrutar exteriormente de bens adquiridos pela fraude, mas sua prosperidade está acompanhada pela culpa e pelo julgamento de Deus.

Também existem vítimas. O dinheiro roubado ou obtido pela manipulação representa o sofrimento de alguém que perdeu aquilo que lhe pertencia.

Por isso, o arrependimento financeiro não consiste apenas em sentir remorso. Sempre que possível, inclui devolver, indenizar e corrigir aquilo que foi feito.

Zaqueu demonstrou essa disposição quando encontrou Jesus. Ele se comprometeu a restituir aquilo que havia tomado injustamente.

A graça não apaga a responsabilidade. Ela transforma o coração e produz desejo de reparar o dano.

Quem ajunta pelo trabalho terá aumento

A segunda parte de Provérbios 13:11 apresenta o crescimento construído pouco a pouco. O trabalhador reúne com constância, disciplina e paciência.

Esse princípio valoriza o processo. Pequenas quantidades administradas sabiamente podem crescer ao longo do tempo. Uma habilidade praticada diariamente melhora. Um negócio responsável desenvolve confiança.

O trabalho honesto também forma caráter. Ensina pontualidade, compromisso, perseverança e responsabilidade.

A pessoa aprende que nem todo resultado será imediato. Existem períodos de preparação nos quais o esforço ainda não produz retorno visível.

A diligência prefere o progresso verdadeiro à aparência instantânea de sucesso. Ela aceita começar pequeno e crescer de maneira sustentável.

O texto não promete riqueza automática

Precisamos ter cuidado para não transformar esse provérbio em uma promessa absoluta de que todo trabalhador honesto se tornará rico.

Existem pessoas diligentes que recebem salários baixos, vivem em economias instáveis ou enfrentam injustiças estruturais. Uma enfermidade, uma crise ou uma guerra pode consumir recursos construídos durante anos.

A Bíblia reconhece essas realidades e ordena que a sociedade trate os trabalhadores com justiça. Não devemos culpar automaticamente todo pobre por sua situação.

Provérbios apresenta o padrão geral: trabalho constante e administração prudente tendem a produzir resultados mais estáveis do que fraude, preguiça e enriquecimento ilusório.

O resultado final permanece debaixo da providência de Deus. Trabalhamos com diligência, mas não controlamos todas as circunstâncias.

Trabalho honesto não significa ausência de dificuldades

Uma pessoa pode agir corretamente e ainda enfrentar clientes que não pagam, perdas inesperadas ou períodos sem emprego.

José trabalhou com fidelidade na casa de Potifar, mas foi acusado injustamente e enviado à prisão. Sua integridade não eliminou imediatamente o sofrimento.

Isso demonstra que não devemos avaliar a retidão apenas pelo resultado rápido. Às vezes, fazer o que é correto parece trazer perdas temporárias.

Nossa fidelidade não deve depender de uma garantia de lucro. Trabalhamos honestamente porque isso agrada a Deus e respeita o próximo.

A esperança cristã ultrapassa o salário e a prosperidade terrena. Mesmo quando a recompensa humana não chega, sabemos que o Senhor vê aquilo que foi feito com sinceridade.

O trabalho não deve tornar-se um ídolo

A Bíblia valoriza a diligência, mas não ensina que devemos viver exclusivamente para trabalhar e acumular.

O trabalho pode tornar-se ídolo quando nossa identidade depende da profissão, quando negligenciamos a família ou quando nunca encontramos contentamento.

Algumas pessoas se orgulham de não descansar e tratam o esgotamento como sinal de importância. Contudo, o corpo possui limites, e Deus estabeleceu ritmos de trabalho e descanso.

Também não devemos imaginar que nosso valor diante de Deus aumenta conforme nossa produtividade. Somos recebidos por causa de Cristo, não pela quantidade de tarefas realizadas.

Trabalhamos como mordomos, usando habilidades e oportunidades para servir. O trabalho ocupa um lugar importante, mas não deve ocupar o trono do coração.

Administrar é tão importante quanto ganhar

Não basta aumentar a renda se os gastos crescem ainda mais rapidamente. A sabedoria também se manifesta na administração.

Um orçamento simples permite compreender quanto entra, quais compromissos existem e onde o dinheiro está sendo utilizado.

A pessoa prudente distingue necessidades de desejos. Nem tudo o que pode ser comprado precisa ser comprado imediatamente.

Também reserva recursos para despesas previsíveis e evita comprometer toda a renda futura. Dívidas assumidas sem planejamento podem limitar decisões durante muitos anos.

Economizar pouco a pouco corresponde ao princípio de Provérbios 13:11. O crescimento constante pode parecer pequeno no início, mas produz estabilidade.

Generosidade e administração cristã

A administração bíblica não tem como objetivo formar pessoas avarentas. Economizar e planejar não significam fechar o coração para quem necessita.

Tudo o que possuímos pertence finalmente a Deus. Somos mordomos e devemos usar os recursos para sustentar responsabilidades, fazer o bem e contribuir para a obra do Senhor.

A generosidade cristã não é uma fórmula para obrigar Deus a multiplicar dinheiro. Damos porque já recebemos graça e reconhecemos que os bens não são nosso verdadeiro tesouro.

As Escrituras ensinam que Deus ama aquele que contribui com alegria, não movido por pressão, vaidade ou expectativa de comprar uma bênção.

A generosidade também precisa de sabedoria. Ajudar alguém não significa alimentar irresponsabilidade, financiar um vício ou entregar recursos a organizações sem transparência.

Buscar primeiro o Reino de Deus

O desejo de estabilidade financeira é legítimo. Precisamos trabalhar, sustentar a família e preparar-nos para responsabilidades futuras.

Entretanto, Jesus advertiu que a vida não consiste na abundância de bens. É possível possuir muito e continuar espiritualmente pobre.

Por isso, somos chamados a buscar primeiro o Reino de Deus e Sua justiça. O dinheiro deve servir aos propósitos do Senhor, não governar nossas decisões.

Quando a riqueza se torna o principal objetivo, começamos a justificar atalhos. A família, a igreja e a consciência são sacrificadas em nome do crescimento.

Buscar o Reino significa perguntar como nosso trabalho pode honrar a Deus, servir ao próximo e preservar a integridade.

A preguiça também é advertida em Provérbios

Embora devamos evitar promessas exageradas sobre prosperidade, também não podemos ignorar as advertências bíblicas contra a preguiça.

A pessoa preguiçosa deseja resultados, mas evita o esforço necessário. Apresenta desculpas, adia responsabilidades e espera que outros carreguem seu peso.

A preguiça não é o mesmo que cansaço, enfermidade ou falta involuntária de oportunidade. Alguém pode desejar trabalhar e não encontrar emprego.

Também existem pessoas que precisam descansar porque estão esgotadas. Chamá-las de preguiçosas seria injusto.

A preguiça bíblica é uma recusa habitual de assumir responsabilidades que poderiam ser cumpridas. Ela deseja colher sem plantar.

O empregador também deve agir com justiça

Os princípios do trabalho não se aplicam apenas aos empregados. Quem administra uma empresa ou contrata pessoas possui responsabilidade diante de Deus.

Não é correto exigir diligência e, ao mesmo tempo, atrasar salários, explorar trabalhadores ou criar condições desumanas.

O lucro não deve ser construído sobre o sofrimento evitável dos mais vulneráveis. Uma empresa pode cumprir requisitos legais mínimos e ainda agir de maneira moralmente injusta.

O empregador cristão deve procurar transparência, pagamento justo, respeito e condições adequadas de trabalho.

Também precisa reconhecer que funcionários são pessoas, não apenas instrumentos de produção. Possuem famílias, limitações e dignidade concedida pelo Criador.

O empregado deve trabalhar com integridade

Da mesma forma, o empregado cristão não deve trabalhar corretamente apenas quando está sendo observado.

Roubar tempo, mentir sobre tarefas, utilizar recursos da empresa sem autorização ou fingir produtividade são formas de desonestidade.

Isso não significa aceitar abusos ou responsabilidades que não pertencem ao cargo. É legítimo estabelecer limites, conversar sobre condições e buscar outro emprego.

Contudo, enquanto assumimos uma função, devemos cumprir honestamente aquilo que foi acordado.

Nosso testemunho também aparece no cuidado com pequenas responsabilidades que talvez ninguém reconheça.

O dinheiro revela o coração

A maneira como lidamos com dinheiro revela prioridades, medos e desejos. Por isso, Jesus falou tantas vezes sobre riquezas.

Alguns encontram segurança no saldo bancário e vivem aterrorizados diante de qualquer perda. Outros gastam para receber aprovação e mostrar uma imagem que não corresponde à realidade.

Há também quem retenha tudo, mesmo tendo condições de ajudar, porque acredita que nunca possuirá o suficiente.

O Evangelho confronta esses extremos. Nossa segurança final está em Deus, não nos bens. Podemos planejar com prudência sem viver dominados pelo medo.

Também podemos desfrutar com gratidão daquilo que recebemos, sem transformar o consumo no propósito da existência.

Contentamento não é falta de ambição responsável

Contentamento significa reconhecer a bondade de Deus na condição atual. Não significa rejeitar todo desejo de crescimento.

Podemos estudar, desenvolver habilidades, procurar melhores oportunidades e ampliar um negócio. O problema está em acreditar que somente seremos felizes depois de alcançar determinado nível.

A ambição responsável procura crescer para servir melhor, cumprir responsabilidades e utilizar os dons recebidos.

A ambição pecaminosa transforma pessoas em obstáculos, aceita qualquer método e nunca encontra descanso.

Paulo aprendeu a viver tanto na abundância quanto na necessidade. Seu contentamento estava fundamentado em Cristo, não em permanecer sempre na mesma condição financeira.

Quando o dinheiro foi obtido de maneira errada

Se uma pessoa reconhece que ganhou recursos pela fraude, corrupção ou exploração, não deve apenas pedir que Deus abençoe aquilo que adquiriu.

O arrependimento exige interromper a prática e, sempre que possível, reparar o dano.

Isso pode significar devolver dinheiro, corrigir documentos, pagar salários retidos ou confessar uma fraude.

Essas decisões podem trazer consequências legais e financeiras. Ainda assim, não devemos preservar uma vantagem pecaminosa em nome da estabilidade.

Cristo oferece perdão verdadeiro, mas não nos chama a continuar desfrutando conscientemente dos frutos da injustiça.

Cristo é nossa maior riqueza

Provérbios oferece princípios valiosos para a vida financeira, mas nossa esperança não pode terminar em uma administração eficiente.

Mesmo a pessoa mais disciplinada continuará sendo pecadora e necessitará de reconciliação com Deus.

Jesus Cristo viveu em perfeita justiça, morreu pelos culpados e ressuscitou. Pela fé nEle, recebemos uma herança que nenhum mercado, crise ou ladrão consegue remover.

Essa esperança muda nossa relação com os bens. Já não precisamos usar dinheiro para provar valor ou construir uma segurança absoluta.

Podemos trabalhar, economizar e compartilhar sabendo que nossa identidade e nosso futuro estão guardados em Cristo.

Conclusão

Provérbios 13:9-11 reúne ensinamentos fundamentais sobre caráter, humildade, conselho e trabalho.

A luz do justo alegra porque sua vida produz confiança, direção e bom testemunho. A lâmpada do perverso se apagará porque sua prosperidade não possui fundamento eterno.

A soberba produz contenda, pois o orgulhoso não deseja ouvir nem reconhecer seus erros. A sabedoria, porém, é encontrada entre aqueles que recebem e examinam bons conselhos.

A riqueza obtida por vaidade, fraude ou precipitação tende a desaparecer. Aquilo que é construído pouco a pouco pelo trabalho possui maior estabilidade.

Isso não significa que todo trabalhador honesto ficará rico ou que toda pessoa pobre seja preguiçosa. Provérbios apresenta princípios gerais, e vivemos em um mundo marcado também por injustiças, crises e acontecimentos que não controlamos.

Nossa responsabilidade é trabalhar com diligência, administrar com prudência, procurar conselhos e rejeitar qualquer vantagem que exija desobediência.

Também devemos ser generosos, tratar trabalhadores com justiça e não transformar dinheiro em nosso senhor.

Salomão recebeu grande sabedoria, mas sua história mostra que conhecer ensinamentos não é suficiente. Precisamos continuar guardando o coração e obedecendo até o fim.

Prefira o crescimento honesto e gradual aos atalhos que comprometem sua consciência. Talvez o caminho da integridade pareça mais lento, mas ele permite caminhar diante de Deus sem precisar esconder a origem daquilo que conquistou.

Trabalhe, planeje e seja responsável, mas coloque sua esperança principal em Cristo. Os bens podem diminuir, os projetos podem mudar e as oportunidades podem desaparecer, porém a herança recebida no Salvador permanece para sempre.

Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes
Cumprirei teus estatutos do começo ao fim

18 comments on “Aquele que recolhe com mão laboriosa aumenta sua riqueza

  1. Amém, que o senhor me conceda sabedoria para desfrutar de todas as grandes bênçãos que o senhor tem colocado em minhas mãos, em nome de Jesus Amém

  2. Deus sempre faz tudo na hora certa, não decepcionemos a Ele para que Ele não fique com raiva de nós. Criemos consciência sobre nossas ações para que o Senhor não se enfureça conosco. Amém!

  3. Meu Pai, em nome de Jesus, meu Senhor e Salvador, me proteje e me ajuda a cumprir sempre a Tua palavra e poder obter as bençãos desejadas com o suor do meu trabalho! Te louvo e te adoro meu Deus por tua bondade e misericórdia e agradeço por tudo que tem feito por mim e pela minha família! Amém!

  4. Sim, sei que as vezes Deus testas a nossa honestidade..um motivo a mais para sermos prudentes com nossas contas….

    1. Vejam bem que de acordo com o que diz o texto,porque vemos e sabemos o que é mau e o que é bom diante de Deus, e que saibamos esperar a boa vontade de Deus em nossas vidas, e tenhamos em mente,essa instrução muito simples: tudo que plantarmos,assim também colheremos. Se plantarmos o que é bom,colheremos o bem e ao contrário disso,colheremos o mal se semearmos o mal. E o nosso Pai que está no céu,que tudo contempla…nos recompensará.Glória a Deus,louvado e engrandecido seja o nome do Senhor.

  5. Amém! Meu Deus em nome do meu Senhor e Salvador Jesus te peço que me dê sabedoria para sempre saber agir na caminhada da vida.Eu agradeço a tudo o que Senhor me deu e peço o que eu conquistar que seja com o suor do meu trabalho,Amém.Te amo Jesus 🙏🙏

  6. Graças à Deus pela sua palavra. Vemos na palavra do Senhor que mesmo que não temos riquezas materiais, mas se nos andarmos com honestidade, sinceridade,fidelidade e termos principalmente o Senhor como nosso Salvador , seremos abençoado.Que Deus nos conceda graça, sabedoria para que nos possamos viver de forma honesta e agradável, e possamos ser sempre grato.Deus abençoe a todos em nome de Jesus.

  7. Amém! 🙏🏻
    Glórias a Deus em nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! 🙌🏻
    Que Deus abençoe a todos nós! 🙏🏻
    Aleluias!!

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