A Bíblia nos ensina que todo aquele que crê em Jesus é uma pessoa nascida de novo, ressuscitada espiritualmente e chamada a viver para as coisas eternas. Por isso, o cristão deve abandonar a velha vida, pois agora é uma nova criatura em Cristo, chamada a mortificar tudo aquilo que pertence ao pecado.
Esse ensino é extremamente necessário para os nossos dias. Vivemos em um tempo em que muitos afirmam seguir a Cristo, mas continuam presos aos mesmos desejos, hábitos e comportamentos que caracterizavam a velha vida. É claro que nenhum cristão alcança perfeição absoluta nesta vida, mas também é verdade que quem nasceu de novo não pode viver confortável no pecado. A nova vida em Cristo produz novos desejos, novas prioridades e uma nova maneira de enxergar o mundo.
A fé verdadeira não é apenas uma declaração religiosa. Ela envolve transformação. Quando Deus salva alguém, Ele não apenas perdoa seus pecados, mas também começa uma obra profunda de santificação. O Espírito Santo passa a agir no coração, confrontando aquilo que desagrada ao Senhor e fortalecendo o crente para viver de modo digno do Evangelho.
Por isso, Paulo escreve aos colossenses com uma ordem muito clara: mortificar os membros que estão sobre a terra. Essa palavra é forte porque mostra que não devemos tratar o pecado com carinho, tolerância ou neutralidade. O pecado não deve ser administrado como algo inofensivo; ele deve ser combatido. O cristão é chamado a viver uma guerra espiritual diária contra tudo aquilo que tenta afastá-lo de Deus.
5 Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria;
6 pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;
7 nas quais também, em outro tempo, andastes, quando vivíeis nelas.
Colossenses 3:5-7
O que significa mortificar as coisas terrenas?
Quando Paulo fala sobre mortificar as coisas terrenas, ele não está dizendo que tudo o que existe na terra é mau. Deus criou o mundo, sustenta a vida e nos dá muitas bênçãos legítimas. Trabalhar, formar uma família, comer, descansar, estudar, administrar bens e cumprir responsabilidades são coisas que podem ser vividas para a glória de Deus. O problema não é viver no mundo; o problema é viver segundo o sistema pecaminoso deste mundo.
As “coisas terrenas” mencionadas por Paulo se referem aos desejos, práticas e padrões que pertencem à velha natureza. São atitudes dominadas pela carne, pela rebeldia contra Deus e pelo amor desordenado às coisas passageiras. Elas representam um modo de vida contrário ao Evangelho, no qual o ser humano busca satisfazer a si mesmo sem considerar a santidade do Senhor.
Mortificar significa fazer morrer. Isso implica cortar alimento, rejeitar oportunidades, fugir de ocasiões perigosas e não permitir que o pecado encontre espaço confortável no coração. Uma pessoa não mortifica o pecado enquanto continua alimentando aquilo que o fortalece. Se alguém deseja vencer uma prática pecaminosa, precisa também abandonar os caminhos, conversas, ambientes e pensamentos que a estimulam.
Esse chamado exige seriedade espiritual. O pecado nunca deve ser tratado como brincadeira. Ele promete prazer, mas produz escravidão; promete liberdade, mas gera culpa; promete satisfação, mas afasta o coração de Deus. Por isso, a ordem bíblica não é negociar com o pecado, mas matá-lo pela força da graça divina.
A velha vida não pode continuar reinando
Paulo lembra aos colossenses que, em outro tempo, eles andaram nessas práticas. Isso é muito importante. Ele reconhece que antes de Cristo havia uma antiga maneira de viver, marcada por desejos desordenados e práticas contrárias à vontade de Deus. Porém, agora essa antiga vida não deveria mais governá-los.
Todo cristão tem um passado. Alguns vieram de uma vida marcada por imoralidade, outros por orgulho, mentira, ganância, idolatria, ira, vícios ou indiferença espiritual. Mas o Evangelho anuncia que Cristo nos resgata do domínio dessas coisas. O passado pode explicar de onde viemos, mas não deve definir para onde vamos. Em Jesus, recebemos uma nova identidade.
Isso não significa que as tentações desaparecem imediatamente. O cristão ainda luta. A velha natureza ainda tenta se levantar. Há batalhas internas, fraquezas e momentos de queda. Mas existe uma diferença essencial: aquilo que antes era normal agora entristece o coração. Aquilo que antes era prazer agora se torna motivo de arrependimento. Essa mudança mostra que a graça está operando.
A vida cristã não é acomodação ao pecado, mas luta contra ele. Quem nasceu de Deus não faz paz com a rebeldia. Pode cair, mas não permanece confortável na queda. Pode ser tentado, mas não deve se entregar sem resistência. Pode sentir fraqueza, mas busca força no Senhor. A marca da nova vida é o desejo sincero de agradar a Deus.
A santificação é uma caminhada diária
Mortificar as coisas terrenas faz parte do processo de santificação. A santificação não acontece de uma vez só, como se o cristão fosse transformado completamente em um único momento. Ela é uma caminhada diária, na qual Deus nos molda, corrige, fortalece e ensina a viver de acordo com Sua vontade.
A Bíblia nos chama a purificar-nos de toda imundícia da carne e do espírito. Isso mostra que a pureza cristã envolve tanto atitudes externas quanto desejos internos. Não basta parecer santo por fora, se o coração permanece cheio de impureza, inveja, cobiça, orgulho ou malícia. Deus trabalha no interior para transformar também o exterior.
Essa caminhada exige vigilância. Precisamos examinar o que estamos alimentando. Que tipo de conteúdo ocupa nossa mente? Que conversas moldam nossos desejos? Que amizades influenciam nossas decisões? Que hábitos enfraquecem nossa comunhão com Deus? Muitas quedas começam quando deixamos de vigiar pequenas portas do coração.
Também precisamos lembrar que a santificação é sustentada pela graça. Não vencemos o pecado apenas por força humana. Dependemos do Espírito Santo, da Palavra, da oração e da comunhão com irmãos maduros. O cristão luta, mas luta confiando no poder de Deus. Ele se esforça, mas sabe que sem o Senhor nada pode fazer.
O pecado deve ser tratado com firmeza
Uma das grandes tragédias do nosso tempo é a normalização do pecado. Aquilo que antes era visto com temor agora é tratado como simples preferência pessoal. O mundo celebra a impureza, justifica a cobiça, transforma desejos desordenados em identidade e chama rebeldia de liberdade. Mas o cristão não deve permitir que o mundo defina sua consciência.
Paulo menciona pecados como prostituição, impureza, apetite desordenado, vil concupiscência e avareza. Essas práticas revelam um coração governado pela carne. Elas não são pequenas falhas sem importância; são manifestações de uma vida dominada por desejos contrários ao Senhor. Por isso, o apóstolo fala com tanta seriedade.
A Escritura nos lembra que a ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência. Essa frase deve produzir temor reverente. Deus é amoroso, misericordioso e paciente, mas também é santo e justo. Ele não trata o pecado como algo sem importância. A cruz de Cristo mostra, ao mesmo tempo, a profundidade do amor de Deus e a gravidade do pecado.
Portanto, o cristão não deve brincar com aquilo que custou o sangue de Cristo. Não devemos alimentar pecados secretos, justificar práticas erradas ou chamar de fraqueza aquilo que precisa ser confessado e abandonado. O caminho da liberdade começa quando tratamos o pecado com a seriedade que a Bíblia ensina.
Mortos para o pecado, vivos para Deus
A vida cristã envolve uma união profunda com Cristo. Pela fé, somos unidos à Sua morte e ressurreição. Isso significa que morremos para o pecado e vivemos para Deus. O pecado já não deve reinar como senhor absoluto sobre nós. Cristo é agora nosso Senhor, nosso Salvador e nossa esperança.
Ser mortos para o pecado não significa que nunca mais seremos tentados, mas que o pecado não possui mais o mesmo domínio sobre nossa vida. Antes, éramos escravos. Agora, em Cristo, recebemos liberdade para obedecer a Deus. Essa liberdade não é licença para pecar, mas poder para viver em novidade de vida.
Muitos confundem liberdade cristã com permissão para seguir os próprios desejos. Mas a verdadeira liberdade é poder dizer não ao pecado e sim à vontade de Deus. O mundo pensa que liberdade é fazer tudo o que o coração deseja. A Bíblia nos mostra que o coração sem Deus é enganoso, e que a verdadeira liberdade está em pertencer a Cristo.
Por isso, devemos lembrar diariamente quem somos. Não pertencemos mais ao velho homem. Não somos definidos pelas paixões antigas. Não somos obrigados a obedecer aos desejos da carne. Em Cristo, fomos chamados para uma vida santa, frutífera e dedicada ao Senhor.
A avareza também é idolatria
Entre os pecados mencionados por Paulo, aparece a avareza, que ele chama de idolatria. Isso é muito revelador. Muitas pessoas condenam pecados visíveis, mas ignoram pecados respeitáveis, como ganância, amor ao dinheiro, ambição desordenada e apego excessivo às coisas materiais.
A avareza é idolatria porque coloca algo criado no lugar do Criador. Quando o dinheiro, o conforto, a segurança financeira ou os bens materiais ocupam o centro do coração, tornam-se falsos deuses. A pessoa passa a viver para acumular, proteger e desejar mais, como se sua vida dependesse dessas coisas.
Esse pecado é perigoso porque pode se vestir de prudência. É claro que devemos trabalhar, administrar bem os recursos e cuidar das responsabilidades. Mas há uma grande diferença entre ser responsável e ser dominado pela cobiça. O cristão deve perguntar: minhas posses servem a Deus, ou eu estou servindo às minhas posses?
Mortificar a avareza significa aprender contentamento, generosidade e confiança no cuidado do Senhor. Significa reconhecer que tudo pertence a Deus e que somos apenas administradores. O coração que busca as coisas do alto não pode ser escravizado pelas coisas da terra.
Buscar as coisas do alto transforma nossos desejos
A mortificação do pecado não acontece apenas dizendo “não” ao que é terreno. Também precisamos dizer “sim” ao que é celestial. O coração humano não permanece vazio. Se não for preenchido com Cristo, será ocupado por outros desejos. Por isso, a Bíblia nos chama a buscar as coisas do alto.
Buscar as coisas do alto significa colocar Deus no centro das prioridades. Significa viver com os olhos na eternidade, valorizando aquilo que permanece. O cristão não deixa de cumprir suas responsabilidades terrenas, mas passa a vivê-las com uma perspectiva diferente. Trabalho, família, estudos e planos devem ser submetidos ao Senhor.
Jesus também nos ensinou a buscar primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça. Essa ordem reorganiza o coração. Quando o Reino está em primeiro lugar, os desejos terrenos perdem seu domínio. Aquilo que antes parecia indispensável passa a ocupar seu lugar correto diante da grandeza de Cristo.
Quanto mais contemplamos a Cristo, menos espaço sobra para o pecado. Quanto mais amamos a Palavra, menos somos seduzidos pelas mentiras do mundo. Quanto mais buscamos a presença de Deus, mais percebemos a pobreza das coisas que antes nos dominavam. A santidade cresce quando o coração encontra sua maior alegria no Senhor.
A luta contra o pecado exige vigilância
Nenhum cristão deve pensar que está acima da tentação. A autoconfiança é perigosa. Muitos caíram porque acreditaram que eram fortes demais para serem seduzidos pelo pecado. A Bíblia nos chama a vigiar, porque o coração humano é vulnerável e o inimigo trabalha com astúcia.
Vigiar significa reconhecer áreas de fraqueza. Cada pessoa sabe onde costuma ser mais tentada. Alguns lutam com impureza, outros com ira, outros com orgulho, outros com inveja, outros com ansiedade, outros com amor ao dinheiro. A sabedoria cristã não ignora essas áreas; ela as leva diante de Deus com sinceridade.
Também precisamos cortar fontes de tentação. Não adianta pedir vitória enquanto continuamos alimentando o pecado. Quem deseja pureza deve cuidar do que vê. Quem deseja domínio próprio deve cuidar do que consome. Quem deseja humildade deve combater a comparação. Quem deseja contentamento deve resistir à cobiça.
A vigilância não é medo doentio, mas prudência espiritual. Ela nasce de um coração que sabe quanto o pecado é destrutivo e quanto a comunhão com Deus é preciosa. O cristão vigilante não confia em si mesmo; ele se refugia continuamente no Senhor.
A graça nos capacita a obedecer
Algumas pessoas pensam que falar de mortificação torna a vida cristã pesada. Porém, a Bíblia não nos chama a matar o pecado por força própria. Deus nos dá graça, poder e auxílio. O mesmo Senhor que ordena santidade também capacita Seus filhos a caminhar nela.
A graça não apenas perdoa; ela também ensina. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas. Ela nos ensina a viver de modo sensato, justo e piedoso. Portanto, mortificar as coisas terrenas não é tentar conquistar o amor de Deus, mas responder ao amor que já recebemos em Cristo.
Quando entendemos isso, a obediência deixa de ser uma tentativa de autopromoção espiritual. Não obedecemos para sermos aceitos; obedecemos porque fomos aceitos em Cristo. Não buscamos santidade para comprar salvação; buscamos santidade porque fomos salvos pela graça e chamados a refletir o caráter do Senhor.
Essa graça nos levanta quando caímos, nos corrige quando nos desviamos e nos fortalece quando somos fracos. O cristão não deve se desesperar diante da luta, mas também não deve se acomodar. Deve correr para Cristo, confessar o pecado, receber perdão e continuar caminhando.
A nova vida deve produzir frutos
A mortificação do pecado não é apenas abandono de práticas erradas; é também produção de frutos espirituais. Paulo não nos chama apenas a tirar o velho, mas também a vestir o novo. A vida cristã é marcada por amor, bondade, mansidão, paciência, misericórdia, perdão e gratidão.
Isso significa que o cristão deve ser conhecido não apenas pelo que rejeita, mas também pelo que pratica. Não basta dizer “eu não faço isso” ou “eu abandonei aquilo”. A pergunta também é: que frutos de Cristo aparecem em minha vida? Estou crescendo em amor? Tenho tratado melhor as pessoas? Tenho buscado reconciliação? Tenho servido com humildade?
Uma santidade apenas negativa pode se tornar orgulhosa. A verdadeira santidade nos torna mais parecidos com Jesus. Ela nos afasta do pecado, mas também nos aproxima do amor, da compaixão e da obediência. O cristão que mortifica a carne deve também cultivar as virtudes do Espírito.
Por isso, devemos pedir ao Senhor não apenas que remova o pecado, mas que forme em nós o caráter de Cristo. A nova vida deve ser visível em casa, na igreja, no trabalho, nos relacionamentos e nas decisões diárias.
Examine o que você está alimentando
Uma pergunta importante para todo cristão é: o que estou alimentando em minha vida? Aquilo que alimentamos cresce. Se alimentamos a carne com conteúdos impuros, conversas pecaminosas, ambientes perigosos e pensamentos desordenados, não devemos nos surpreender quando a tentação se torna mais forte.
Por outro lado, quando alimentamos o espírito com a Palavra, oração, comunhão, louvor e serviço, nossa fé é fortalecida. O coração começa a desejar mais as coisas de Deus. A mente é renovada. A consciência se torna mais sensível. A vontade passa a se inclinar para aquilo que agrada ao Senhor.
Esse exame precisa ser diário. Não podemos viver semanas ou meses sem avaliar nossa caminhada. O pecado cresce quando não é confrontado. A frieza espiritual aumenta quando não é tratada. A distância de Deus se aprofunda quando nos acostumamos a viver sem oração e sem Palavra.
Portanto, pergunte diante do Senhor: meus hábitos estão me aproximando de Cristo ou fortalecendo minha velha natureza? Minhas escolhas revelam amor às coisas do alto ou apego às coisas terrenas? Meu coração está sendo governado pela carne ou pelo Espírito?
Conclusão: vivamos como ressuscitados com Cristo
Mortificar as coisas terrenas não é uma tarefa impossível, mas um chamado divino sustentado pelo poder do Espírito Santo. Deus não nos deixa sozinhos nessa luta. Ele nos dá Sua Palavra, Sua graça, Sua presença e Seu povo para nos ajudar a caminhar em santidade.
Se realmente fomos ressuscitados com Cristo, então nosso maior desejo deve ser buscar as coisas do alto. Não podemos continuar vivendo como se pertencêssemos ao velho mundo. Fomos comprados por Cristo, chamados para a santidade e capacitados a viver uma vida que glorifica o Senhor.
Portanto, abandonemos tudo aquilo que tenta ocupar o lugar de Deus em nosso coração. Mortifiquemos a impureza, os maus desejos, a cobiça, a idolatria e toda prática que pertence à velha vida. Alimentemos a fé, busquemos a Palavra, oremos com sinceridade e caminhemos em obediência.
Que o Senhor nos ajude a viver como pessoas verdadeiramente renovadas. Que nossa vida demonstre que morremos para o pecado e vivemos para Deus. E que, em cada decisão, desejo e atitude, Cristo seja visto como nosso maior tesouro, nossa esperança eterna e o Senhor absoluto do nosso coração.
1 comment on “Façamos morrer o terreno em nós”
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