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As Sete Palavras de Cristo na cruz. VI: A palavra de vitória (A. W. Pink)

As Sete Palavras de Cristo na cruz. VI_ A palavra de vitória (A. W. Pink)

Resenha do editor

Continuamos com a série de sermões de A. W. Pink intitulada “The Seven Sayings of the Savior on the Cross”. Nesta ocasião, adentramos na sexta palavra, conhecida como a palavra de vitória, onde o Senhor Jesus Cristo declara: “Está consumado”.

Depois de contemplar o sofrimento, a angústia e o abandono do Salvador nas palavras anteriores, agora somos levados ao clímax da obra redentora. Esta expressão não é um suspiro de derrota, mas sim um grito triunfante que anuncia que a obra que o Pai lhe confiou foi completamente cumprida.

Nesta palavra está contido o próprio coração do evangelho: a redenção foi completada, o pecado foi expiado, a justiça divina foi satisfeita e o caminho da salvação foi aberto para todos aqueles que creem. Convidamos o leitor a meditar na profundidade desta declaração, pois nela encontramos a base firme da nossa esperança e a certeza de uma salvação perfeita e definitiva.


Sermão de A. W. Pink: A Palavra de vitória

Quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado” (João 19:30).

NOSSOS DOIS ÚLTIMOS ESTUDOS trataram da tragédia da cruz; agora nos voltamos para o seu triunfo. Em suas palavras, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, ouvimos o clamor de desolação do Salvador; em suas palavras “Tenho sede” ouvimos seu clamor de lamentação; agora chega aos nossos ouvidos o seu clamor de júbilo — “Está consumado”. Das palavras da vítima passamos agora às palavras do vencedor. É proverbial que toda nuvem tem seu lado brilhante; assim também a mais escura de todas. A cruz de Cristo tem dois grandes aspectos: mostrou as profundezas da sua humilhação, mas também marcou o objetivo da Encarnação e, além disso, declarou a consumação de sua missão, constituindo a base da nossa salvação.

Está consumado”. Os antigos gregos se vangloriavam de poder dizer muito em poucas palavras — “dar um mar de conteúdo em uma gota de linguagem” era considerado a perfeição da eloquência. O que eles buscavam aqui se encontra. “Está consumado” é uma única palavra no original, e, no entanto, nessa palavra está envolvido o evangelho de Deus; nessa palavra está contido o fundamento da segurança do crente; nessa palavra se descobre a soma de toda alegria e o próprio espírito de toda consolação divina.

Está consumado”. Este não foi o clamor desesperado de um mártir indefeso; não foi uma expressão de satisfação porque o fim de seus sofrimentos havia chegado; não foi o último suspiro de uma vida esgotada. Não, antes foi a declaração do Redentor divino de que tudo aquilo para o qual veio do céu à terra fazer agora estava feito; que tudo o que era necessário para revelar plenamente o caráter de Deus havia sido cumprido; que tudo o que a lei exigia antes que os pecadores pudessem ser salvos havia sido realizado; que o preço completo de nossa redenção havia sido pago.

Está consumado”. O grande propósito de Deus na história do homem agora havia sido cumprido — cumprido de direito, como ainda o será de fato. Desde o princípio, o propósito de Deus sempre foi um e indivisível. Ele foi declarado aos homens de diversas maneiras: em símbolo e tipo, por meio de insinuações misteriosas e por declarações claras, através de predições messiânicas e mediante ensinamentos didáticos. Esse propósito de Deus pode ser resumido assim: manifestar sua graça e magnificar seu Filho na criação de filhos à sua própria imagem e glória. E na cruz foi lançado o fundamento que tornaria isso possível e real.

Está consumado”. O que foi consumado? A resposta a esta pergunta é muito ampla, embora vários excelentes expositores tenham tentado limitar o alcance dessas palavras e restringi-las estritamente a uma única aplicação. Diz-se que foram as profecias concernentes aos sofrimentos do Salvador que foram cumpridas, e que Ele se referia apenas a isso. Concede-se que a referência imediata era às predições messiânicas; no entanto, pensamos que há boas e suficientes razões para não limitar as palavras de nosso Senhor somente a elas.

Além disso, parece-nos certo que Cristo se referiu especialmente à sua obra sacrificial, pois nem toda a Escritura concernente ao seu sofrimento e vergonha havia sido cumprida. Ainda restava a entrega de seu espírito nas mãos do Pai (Sl. 31:5); ainda restava o “traspassá-lo” com a lança (Zac. 12:10; e observe-se que a palavra usada para o traspassar de suas mãos e pés — o ato da crucificação — no Salmo 22:16 é diferente); ainda restava a preservação de seus ossos sem serem quebrados (Sl. 34:20) e o sepultamento no túmulo de um rico (Isaías 53:9).

Está consumado”. O que foi consumado? Respondemos: sua obra sacrificial. É certo que ainda restava o ato da própria morte, o qual era necessário para a expiação. Mas, como ocorre frequentemente no Evangelho de João — onde se encontra o nosso texto — (cf.: João 12:23, 31; 13:31; 16:5; 17:4), o Senhor aqui fala antecipadamente da consumação de sua obra. Além disso, deve-se lembrar que as três horas de escuridão já haviam passado, o terrível cálice já havia sido bebido, seu precioso sangue já havia sido derramado, a ira de Deus já havia sido suportada; e estes são os elementos principais na propiciação. A obra sacrificial do Salvador, então, estava completa, excetuando apenas o ato da morte que se seguiu imediatamente. Mas, como veremos, a consumação da obra sacrificial pôs fim a várias coisas, e a elas agora dirigiremos nossa atenção.

1. Aqui vemos o cumprimento completo de todas as profecias que haviam sido escritas acerca d’Ele antes de sua morte.

Está consumado”.

Este é o pensamento imediato do contexto: “Quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado” (João 19:30).

Séculos antes, os profetas de Deus haviam descrito passo a passo a humilhação e os sofrimentos que o Salvador vindouro deveria padecer. Um a um estes foram cumpridos, maravilhosamente cumpridos, cumpridos até a última letra.

Se a profecia havia declarado que Ele seria a “semente da mulher” (Gên. 3:15), então Ele foi “nascido de mulher” (Gál. 4:4). Se a profecia havia anunciado que sua mãe seria uma “virgem” (Isa. 7:14), então isso se cumpriu literalmente (Mateus 1:18). Se a profecia havia revelado que Ele seria da descendência de Abraão (Gên. 22:18), então observe-se o seu cumprimento (Mateus 1:1). Se a profecia havia feito saber que Ele seria descendente direto de Davi (2 Sam. 7:12, 13), então assim foi (Rom. 1:3). Se a profecia havia dito que seria nomeado antes de nascer (Isa. 49:1), então assim aconteceu (Lucas 1:30-31).

Se a profecia havia predito que nasceria em Belém da Judeia (Miq. 5:2), então observe-se como essa mesma cidade foi o seu lugar de nascimento. Se a profecia havia advertido que seu nascimento causaria lamento em outros (Jer. 31:15), então veja-se seu trágico cumprimento (Mateus 2:16-18). Se a profecia havia anunciado que o Messias apareceria antes que o cetro se afastasse de Judá (Gênesis 49:10), então assim ocorreu, pois embora as dez tribos estivessem em cativeiro, Judá ainda permanecia na terra no tempo de sua vinda. Se a profecia havia falado da fuga para o Egito e do posterior retorno à Palestina (Oseias 11:1 e cf. Isa. 49:3, 6), então assim se cumpriu (Mateus 2:14-15).

Se a profecia havia mencionado alguém que iria adiante de Cristo preparando o seu caminho (Malaquias 3:1), então veja-se seu cumprimento na pessoa de João Batista. Se a profecia havia anunciado que na manifestação do Messias “os olhos dos cegos seriam abertos, e os ouvidos dos surdos se abririam. Então o coxo saltará como um cervo, e cantará a língua do mudo” (Isa. 35:5-6), então leiam-se os quatro evangelhos e observe-se como isso se cumpriu gloriosamente. Se a profecia havia falado d’Ele como “pobre e necessitado” (Sal. 40:17), então observe-se que não tinha onde reclinar a cabeça. Se a profecia havia indicado que falaria em “parábolas” (Sal. 78:2), então esse foi seu método frequente de ensino. Se a profecia havia descrito que acalmaria a tempestade (Sal. 107:29), então exatamente isso fez. Se a profecia havia anunciado sua “entrada triunfal” em Jerusalém (Zac. 9:9), então assim ocorreu.

Se a profecia havia declarado que sua pessoa seria desprezada (Isa. 53:3); que seria rejeitado pelos judeus (Isa. 8:14); que seria “odiado sem causa” (Sal. 69:4), então, tristemente, assim foi exatamente. Se a profecia havia pintado todo o quadro de sua degradação e crucificação, então este foi reproduzido vividamente. Houve a traição por um amigo próximo, o abandono de seus discípulos, o ser levado ao matadouro, o ser levado a julgamento, o surgimento de falsas testemunhas contra Ele, sua recusa em defender-se, o estabelecimento de sua inocência, a condenação injusta, a sentença de morte pronunciada contra Ele, o traspassar literal de suas mãos e pés, o ser contado entre os transgressores, a zombaria da multidão, o lançar sortes sobre suas vestes — tudo predito séculos antes, e tudo cumprido até a última letra.

A última profecia que restava antes de que entregasse seu espírito nas mãos de seu Pai agora havia sido cumprida. Ele clamou “Tenho sede” e depois de lhe oferecerem o vinagre e o fel, tudo estava agora “cumprido”; e quando o Senhor Jesus percorreu todo o alcance da palavra profética e viu o seu pleno cumprimento, clamou: “Está consumado”.

Resta-nos apenas assinalar que assim como houve um conjunto completo de profecias relacionadas com a primeira vinda do Salvador, também há um conjunto completo de profecias relacionadas com sua segunda vinda — estas últimas tão definidas, tão pessoais e tão completas em seu alcance quanto as primeiras. Assim como vemos o cumprimento real daquelas que diziam respeito à sua primeira vinda à terra, assim também podemos esperar com absoluta confiança e segurança o cumprimento daquelas que dizem respeito à sua segunda vinda.

E assim como vimos que as primeiras se cumpriram literal, real e pessoalmente, assim também devemos esperar que as segundas se cumpram da mesma maneira. Aceitar o cumprimento literal das primeiras e depois tentar espiritualizar ou simbolizar as segundas não é apenas inconsistente e ilógico, mas também altamente prejudicial para nós e profundamente desonroso para Deus e para a sua Palavra.

2. Aqui vemos a consumação de seus sofrimentos.

Está consumado

Mas, que língua ou que pena pode descrever os sofrimentos do Salvador? Oh, a indizível angústia, física, mental e espiritual que Ele suportou! Com razão foi chamado “o Homem de dores”. Sofrimentos às mãos dos homens, às mãos de Satanás e às mãos de Deus. Dor infligida sobre Ele tanto por inimigos quanto por amigos. Desde o princípio caminhou em meio às sombras que a cruz projetava sobre o seu caminho. Ouça o seu lamento: “Aflito e necessitado sou desde a juventude” (Sal. 88:15). Que luz isso lança sobre seus primeiros anos! Quem pode dizer quanto está contido nessas palavras?

Para nós, um véu impenetrável cobre o futuro; nenhum de nós sabe o que trará o dia de amanhã. Mas o Salvador conhecia o fim desde o princípio.

Basta ler os evangelhos para ver como a terrível cruz estava sempre diante d’Ele. Nas bodas de Caná, onde tudo era alegria e celebração, Ele faz solene referência à “sua hora” que ainda não havia chegado. Quando Nicodemos veio a Ele à noite, o Salvador falou da “exaltação do Filho do Homem”.

Quando Tiago e João vieram pedir-lhe os lugares de honra em seu reino, Ele falou do “cálice” que deveria beber e do “batismo” com que deveria ser batizado. Quando Pedro confessou que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo, então começou a ensinar a seus discípulos “como lhe era necessário ir a Jerusalém e padecer muito dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas; e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” (Mateus 16:21). Quando Moisés e Elias estiveram com Ele no monte da transfiguração, falavam de “sua partida que iria cumprir em Jerusalém”.

Se é certo que somos incapazes de estimar os sofrimentos de Cristo devido à antecipação da cruz, muito menos podemos compreender a terrível realidade em si. Os sofrimentos físicos foram intensos, mas ainda assim não foram nada em comparação com sua angústia de alma. À consideração desses sofrimentos já dedicamos vários parágrafos em capítulos anteriores, mas não pedimos desculpas por voltar a eles novamente. Não podemos contemplar com demasiada frequência o que o Salvador suportou para assegurar a nossa salvação. Quanto melhor conhecermos seus sofrimentos, e quanto mais meditarmos neles, mais ardente será o nosso amor e mais profunda a nossa gratidão.

Por fim chegaram as horas finais. Houve a terrível experiência no Getsêmani, seguida de suas comparecências diante de Caifás, de Pilatos, de Herodes e novamente de Pilatos. Houve o açoite e as zombarias dos soldados brutais; o caminho até o Calvário; o cravar de suas mãos e pés no cruel madeiro. Houve as injúrias dos sacerdotes, da multidão e dos dois ladrões crucificados com Ele. Houve a cruel indiferença de uma multidão vulgar, entre os quais “ninguém teve compaixão” e ninguém disse uma palavra de “consolo” (Sal. 69:20).

Houve a terrível nuvem que ocultou d’Ele o rosto do Pai, o que arrancou de seus lábios o amargo clamor: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Houve os lábios ressequidos que o fizeram exclamar: “Tenho sede”. Houve o terrível conflito com o poder das trevas quando a serpente feriu o seu calcanhar. Bem podia o que sofria exclamar: “Não vos comove a todos vós que passais pelo caminho? Olhai e vede se há dor como a minha dor” (Lam. 1:12).

Mas agora o sofrimento terminou. Aquilo de que sua alma santa se retraía já passou. O Senhor o esmagou; o homem e o diabo fizeram o pior. O cálice foi bebido. A terrível tempestade da ira de Deus acaba de se esgotar. A escuridão terminou. A espada da justiça divina foi embainhada. O salário do pecado foi pago. As profecias de seus sofrimentos foram todas cumpridas. A cruz foi suportada.

A santidade divina foi plenamente satisfeita. Com um clamor de triunfo — um grande clamor, um clamor que ressoou por todo o universo — o Salvador exclama: “Está consumado”. A ignomínia e a vergonha, o sofrimento e a agonia passaram. Nunca mais experimentará dor. Nunca mais suportará a contradição dos pecadores contra si mesmo. Nunca mais estará nas mãos de Satanás. Nunca mais a luz do rosto de Deus lhe será ocultada. Bendito seja Deus, tudo isso terminou!

A cabeça que uma vez foi coroada de espinhos, agora está coroada de glória;
Uma diadema real adorna a fronte do poderoso Vencedor.
O lugar mais alto que o céu concede é seu por direito soberano,
O Rei dos reis e Senhor dos senhores, e a luz eterna do céu.
A alegria de todos os que habitam acima, a alegria de todos abaixo,
A quem Ele manifesta o seu amor, e lhes concede conhecer o seu nome.

3. Aqui vemos que o alvo da Encarnação foi alcançado.

Está consumado

A Escritura indica que há uma obra especial própria de cada uma das pessoas divinas, embora, como as próprias pessoas, nem sempre seja fácil distinguir entre suas respectivas obras. Deus o Pai está especialmente relacionado com o governo do mundo. Ele governa sobre todas as obras de suas mãos. Deus o Filho está especialmente relacionado com a obra da redenção: foi Ele quem veio aqui para morrer pelos pecadores. Deus o Espírito está especialmente relacionado com as Escrituras: foi Ele quem moveu os santos homens da antiguidade a falar as mensagens de Deus, assim como é quem agora dá iluminação espiritual e entendimento, e guia à verdade. Mas é com a obra de Deus o Filho que aqui estamos particularmente interessados.

Antes de que o Senhor Jesus viesse a esta terra, uma obra definida lhe foi confiada. No volume do livro estava escrito a seu respeito, e Ele veio para fazer a vontade de Deus ali registrada. Mesmo sendo um menino de doze anos, “os negócios de seu Pai” estavam em seu coração e ocupavam sua atenção. Novamente, em João 5:36, encontramos Ele dizendo: “Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para que cumprisse, as mesmas obras que eu faço”. E na última noite antes de sua morte, naquela maravilhosa oração sacerdotal, ouvimo-lo dizer: “Eu te glorifiquei na terra; completei a obra que me deste para fazer” (João 17:4).

Em seu livro sobre as sete palavras de Cristo na cruz, o Dr. Anderson-Berry utiliza uma ilustração histórica que, por seu forte contraste, mostra o significado e a glória da obra terminada de Cristo. Isabel, rainha da Inglaterra, ídolo da sociedade e líder da moda europeia, quando estava em seu leito de morte, voltou-se para sua dama de companhia e disse: “Ó meu Deus! Tudo terminou. Cheguei ao fim de tudo — o fim, o fim. Ter apenas uma vida e tê-la acabado! Ter vivido, amado e triunfado, e agora saber que tudo terminou. Pode-se desafiar tudo o mais, menos isto”. E enquanto a ouvinte observava, em poucos momentos, o rosto cuja leveza de sorriso fazia com que seus cortesãos se levantassem, tornou-se uma máscara de barro sem vida, devolvendo o olhar ansioso de sua serva com nada mais que um olhar vazio.

Tal foi o fim daquela cuja carreira meteórica havia sido a inveja de meio mundo. Não se podia dizer que ela havia “consumado” algo, porque para ela tudo foi “vaidade e aflição de espírito”. Quão diferente foi o fim do Salvador! — “Eu te glorifiquei na terra; completei a obra que me deste para fazer”.

A missão para a qual Deus havia enviado seu Filho ao mundo havia sido agora cumprida. Não foi completamente terminada até que Ele exalou seu último suspiro, mas a morte estava apenas um instante adiante, e em antecipação a isso Ele clama: “Está consumado”. O trabalho difícil foi feito. A tarefa divinamente confiada foi realizada. Uma obra mais honrosa e transcendental do que qualquer outra jamais confiada a homem ou a anjos foi completada. Aquilo pelo qual deixou a glória do céu, aquilo pelo qual tomou sobre si a forma de servo, aquilo pelo qual permaneceu na terra durante trinta e três anos, foi agora consumado. Nada resta para acrescentar. O alvo da Encarnação foi alcançado. Com que gozo triunfante Ele deve ter contemplado aqui a árdua e custosa obra que lhe foi confiada, agora aperfeiçoada!

Está consumado”. A missão para a qual Deus havia enviado seu Filho ao mundo foi cumprida. Aquilo que havia sido eternamente determinado veio a acontecer. O plano de Deus foi completamente realizado. É certo que o Salvador foi por “mãos ímpias crucificado e morto”, contudo foi “entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2:23).

É certo que os reis da terra se levantaram, e os governantes se reuniram contra o Senhor e contra o seu Cristo; contudo, foi apenas para fazer o que a mão e o conselho de Deus “haviam anteriormente determinado que acontecesse” (Atos 4:28). Porque Ele é o Altíssimo, a vontade secreta de Deus não pode ser frustrada. Porque Ele é supremo, o conselho de Deus deve permanecer. Porque Ele é Todo-Poderoso, o propósito de Deus não pode ser derrotado. Repetidas vezes as Escrituras insistem na eficácia irresistível do propósito do Senhor Deus. Visto que essa verdade hoje é tão amplamente questionada, acrescentamos sete passagens que a afirmam:

Mas, se ele resolve alguma coisa, quem o pode dissuadir? O que a sua alma deseja, isso faz” (Jó 23:13).

Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42:2).

O nosso Deus está nos céus; faz tudo o que lhe agrada” (Sal. 115:3).

Não há sabedoria, nem entendimento, nem conselho contra o Senhor” (Prov. 21:30).

Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem a fará voltar atrás?” (Isa. 14:27).

“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho permanecerá, e farei toda a minha vontade” (Isa. 46:9, 10).

“Todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dan. 4:35).

E, no clamor triunfante do Salvador — “Está consumado” — temos uma profecia e uma garantia do cumprimento final do plano de Deus de forma completa e irresistível. No fim dos tempos, quando tudo houver sido concluído, e o propósito de Deus tiver sido plenamente consumado, quando tudo o que Ele determinou que deveria ser feito tiver sido realizado, então será dito novamente: “Está consumado”.

4. Aqui vemos o cumprimento da expiação.

Está consumado”.

Acima falamos de Cristo alcançando o alvo da Encarnação e da consumação de sua missão na terra; qual era esse alvo e missão, as Escrituras o revelam claramente. O Filho do Homem veio “buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10). Cristo Jesus veio ao mundo “para salvar os pecadores” (1 Tim. 1:15). Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, “para redimir os que estavam debaixo da lei” (Gál. 4:4). Ele foi manifestado “para tirar os nossos pecados” (1 João 3:5). E tudo isso implicava a cruz.

Os “perdidos” que veio buscar só podiam ser encontrados ali — no lugar da morte e sob a condenação de Deus. Os pecadores podiam ser “salvos” somente se alguém tomasse o seu lugar e carregasse suas iniquidades. Aqueles que estavam debaixo da lei podiam ser “redimidos” somente se outro cumprisse suas exigências e sofresse sua maldição. Nossos pecados só podiam ser “tirados” se fossem apagados pelo precioso sangue de Cristo. As exigências da justiça deviam ser satisfeitas: os requisitos da santidade de Deus deviam ser cumpridos: a terrível dívida que havíamos contraído devia ser paga. E na cruz tudo isso foi feito; feito por nada menos que o Filho de Deus; feito perfeitamente; feito uma vez por todas.

Está consumado”. Aquilo para o qual tantos tipos apontavam, aquilo que tanto no tabernáculo e seus ritos havia sido prefigurado, aquilo de que tantos profetas de Deus haviam falado, agora foi cumprido. Uma cobertura contra o pecado e sua vergonha — tipificada pelas túnicas de peles com as quais o Senhor Deus vestiu nossos primeiros pais — agora foi provida. O sacrifício mais excelente — tipificado pelo cordeiro de Abel — foi oferecido. Um refúgio contra a tempestade do juízo divino — tipificado pela arca de Noé — foi preparado. O Filho unigênito e amado — tipificado por Isaque oferecido por Abraão — foi colocado sobre o altar. Uma proteção contra o anjo destruidor — tipificada pelo sangue do cordeiro pascal — foi fornecida. Uma cura para a mordida da serpente — tipificada pela serpente de bronze levantada na haste — foi preparada para os pecadores. A provisão de uma fonte que dá vida — tipificada por Moisés ferindo a rocha — foi realizada.

Está consumado”. A palavra grega aqui, teleo, é traduzida de várias maneiras no Novo Testamento. Um olhar sobre algumas de suas diferentes traduções em outros textos nos permitirá discernir a plenitude e finalidade do termo usado pelo Salvador. Em Mateus 11:1, teleo é traduzido assim: “Quando Jesus acabou de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali”. Em Mateus 17:24 é traduzido: “Os que cobravam o imposto do templo aproximaram-se de Pedro e disseram: O vosso Mestre não paga o imposto?”. Em Lucas 2:39 é traduzido: “E, quando cumpriram tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia”. Em Lucas 18:31 é traduzido: “Cumprir-se-ão todas as coisas que foram escritas pelos profetas acerca do Filho do Homem”.

Reunindo tudo isso, aprendemos o alcance da sexta palavra de Cristo na cruz: “Está consumado”. Ele clamou: foi “terminado”; foi “pago”; foi “cumprido”; foi “consumado”. O que foi terminado? Nossos pecados e sua culpa. O que foi pago? O preço da nossa redenção. O que foi cumprido? As máximas exigências da lei. O que foi consumado? A obra que o Pai lhe deu para fazer. O que foi terminado? A expiação.

Deus deu pelo menos quatro provas de que Cristo terminou a obra que lhe foi confiada. Primeiro, no rasgar do véu, que mostrou que o caminho para Deus estava agora aberto. Segundo, na ressurreição de Cristo dentre os mortos, o que evidenciou que Deus havia aceitado seu sacrifício. Terceiro, a exaltação de Cristo à destra de Deus, o que demonstra o valor da obra de Cristo e o deleite do Pai em sua pessoa. Quarto, o envio do Espírito Santo à terra para aplicar as virtudes e os benefícios da morte expiatória de Cristo.

Está consumado”. O que foi terminado? A obra de expiação. Que valor isso tem para nós? Isto: para o pecador é uma mensagem de boas novas. Tudo o que um Deus santo requer foi feito. Nada resta para que o pecador acrescente. Nenhuma obra de nossa parte é exigida como preço de nossa salvação. Tudo o que é necessário ao pecador é descansar agora pela fé no que Cristo fez. “O dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rom. 6:23). Para o crente, o conhecimento de que a obra expiatória de Cristo está terminada traz um doce alívio diante de todas as imperfeições e falhas de seus serviços. Há muito pecado e vaidade até mesmo em nossos melhores esforços, mas o grande consolo é que estamos “completos nele” (Col. 2:10). Cristo e sua obra consumada são o fundamento de toda a nossa esperança.

Sobre uma vida que não vivi,
Sobre uma morte que não morri,
A vida de outro, a morte de outro,
Confio minha alma eternamente.
Com ousadia me apresentarei naquele grande dia,
Quem poderá acusar-me?
Totalmente absolvido por Cristo estou,
Do terrível castigo e culpa do pecado.

5. Aqui vemos o fim dos nossos pecados.

Está consumado

Os pecados do crente — todos eles — foram transferidos ao Salvador. Como diz a Escritura: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isa. 53:6). Se então Deus colocou minhas iniquidades sobre Cristo, já não estão sobre mim. Pecado há em mim, porque a velha natureza adâmica permanece no crente até a morte ou até o retorno de Cristo, se Ele vier antes que eu morra; mas não há pecado sobre mim. Esta distinção entre pecado EM mim e pecado SOBRE mim é muito importante, e não deveria haver dificuldade em entendê-la.

Se eu dissesse que um juiz pronunciou sentença sobre um criminoso, e que agora ele está sob sentença de morte, todos entenderiam o que quero dizer. Da mesma forma, todo aquele que está fora de Cristo tem sobre si a sentença de condenação de Deus. Mas quando um pecador crê no Senhor Jesus, o recebe como seu Senhor e Mestre, já não está “sob condenação” — o pecado já não está sobre ele, isto é, a culpa, a condenação e a pena do pecado já não estão sobre ele. E por quê? Porque Cristo levou nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro (1 Ped. 2:24). A culpa, a condenação e a pena dos nossos pecados foram transferidas ao nosso substituto. Portanto, visto que meus pecados foram transferidos a Cristo, já não estão sobre mim.

Esta preciosa verdade foi ilustrada de maneira notável no Antigo Testamento em relação ao Dia da Expiação anual de Israel. Naquele dia, Arão, o sumo sacerdote (tipo de Cristo), fazia satisfação a Deus pelos pecados que Israel havia cometido durante o ano anterior. A forma como isso era feito é descrita em Levítico 16.

Dois bodes eram tomados e apresentados diante do Senhor à porta do tabernáculo: isso era antes que se fizesse algo com eles; representava Cristo apresentando-se a Deus, oferecendo-se para vir a este mundo e ser o Salvador dos pecadores. Um dos bodes era então tomado e sacrificado, e seu sangue era levado para dentro do tabernáculo, além do véu, ao Lugar Santíssimo, e ali era aspergido diante e sobre o propiciatório — prefigurando Cristo oferecendo-se a si mesmo como sacrifício a Deus, para satisfazer as exigências de sua justiça e cumprir os requisitos de sua santidade.

Depois lemos que Arão saía do tabernáculo e colocava ambas as mãos sobre a cabeça do segundo bode (o vivo) — significando um ato de identificação pelo qual Arão, o representante de toda a nação, identificava o povo com ele, reconhecendo que seu destino era o que seus pecados mereciam, e que hoje corresponde às mãos da fé que se apegam a Cristo e nos identificam com Ele em sua morte. Tendo colocado suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, Arão confessava sobre ele “todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões em todos os seus pecados, pondo-os sobre a cabeça do bode” (Lev. 16:21). Assim eram transferidos os pecados de Israel ao seu substituto.

Finalmente lemos: “E aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles para uma terra desabitada; e deixará ir o bode no deserto” (Lev. 16:22). O bode que levava os pecados de Israel era conduzido a um deserto desabitado, e o povo de Deus não o via mais, nem a ele nem aos seus pecados! Em tipo, isso representa Cristo levando nossos pecados a essa terra desolada onde Deus não estava, e ali dando fim a eles. A cruz de Cristo é, então, o túmulo dos nossos pecados!

6. Aqui vemos o cumprimento dos requisitos da lei.

Está consumado”.

A lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rom. 7:12). Como poderia ser diferente, quando o próprio Senhor a estabeleceu e a deu? A falha não estava na lei, mas no homem, que, sendo depravado e pecador, não podia guardá-la. No entanto, essa lei devia ser guardada, e guardada por um homem, para que a lei fosse honrada e magnificada, e seu Doador vindicado.

Portanto lemos: “Porquanto o que era impossível à lei, visto que estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado e por causa do pecado, condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em (não “por”) nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rom. 8:3, 4). A “fraqueza” aqui é a do homem caído. O envio do Filho de Deus em semelhança de carne do pecado (grego) refere-se à Encarnação; como lemos em outra passagem: “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para redimir os que estavam sob a lei” (Gál. 4:4-5).

Sim, o Salvador nasceu “sob a lei”, nasceu sob ela para poder guardá-la perfeitamente em pensamento, palavra e obra. “Não penseis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mateus 5:17); tal foi a sua declaração.

Mas não apenas guardou os preceitos da lei, também sofreu sua pena e suportou sua maldição. Nós a havíamos quebrantado, e ao tomar o nosso lugar, Ele devia receber sua justa sentença. Tendo recebido o castigo e suportado a maldição, as exigências da lei ficam completamente satisfeitas e a justiça é cumprida. Por isso está escrito acerca dos crentes: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gál. 3:13). E novamente: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rom. 10:4). E outra vez: “Não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rom. 6:14).

Livres da lei, oh feliz condição!
Jesus abençoou e há perdão.
Amaldiçoados pela lei e mortos pela queda,
A graça nos redimiu uma vez por todas.

7. Aqui vemos a destruição do poder de Satanás.

Está consumado”.

Olha-o pela fé. A cruz fez soar o sino de morte do poder do diabo. Aos olhos humanos parecia o momento de seu maior triunfo, mas na realidade foi a hora de sua derrota definitiva. À vista da cruz (veja o contexto), o Salvador declarou: “Agora é o juízo deste mundo; agora o príncipe deste mundo será expulso” (João 12:31). É certo que Satanás ainda não foi acorrentado e lançado no abismo; contudo, a sentença já foi pronunciada (ainda que não executada); seu destino é seguro; e seu poder já foi quebrado no que diz respeito aos crentes.

Para o cristão, o diabo é um inimigo vencido. Foi derrotado por Cristo na cruz — “para destruir, pela morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo” (Heb. 2:14). Os crentes já foram “libertos do poder das trevas” e transportados para o reino do Filho do seu amor (Col. 1:13). Satanás, portanto, deve ser tratado como um inimigo derrotado. Já não tem nenhum direito legítimo sobre nós. Antes éramos seus “cativos”, mas Cristo nos libertou. Antes andávamos “segundo o príncipe da potestade do ar”; mas agora devemos seguir o exemplo que Cristo nos deixou. Antes Satanás “operava em nós”; mas agora é Deus quem opera em nós tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade. Tudo o que agora devemos fazer é “resistir ao diabo”, e a promessa é: “ele fugirá de vós” (Tiago 4:7).

Está consumado”. Esta foi a resposta triunfante à ira do homem e à inimizade de Satanás. Declara a obra perfeita que trata com o pecado no lugar do juízo. Tudo foi completado exatamente como Deus havia disposto, tal como os profetas anunciaram, tal como o cerimonial do Antigo Testamento prefigurou, tal como a santidade divina exigia e tal como os pecadores necessitavam. Quão apropriado é que esta sexta palavra da cruz esteja no Evangelho de João — o evangelho que apresenta a glória da divindade de Cristo! Ele não apresenta aqui sua obra para a aprovação de Deus, mas a sela com sua própria autoridade, declarando-a completa e concedendo-lhe a aprovação suficiente de sua própria pessoa. Nenhum outro além do Filho de Deus diz: “Está consumado”; quem, então, ousará duvidar ou questionar?

Está consumado”. Leitor, você crê nisso? Ou está tentando acrescentar algo de si mesmo à obra terminada de Cristo para obter o favor de Deus? Tudo o que você precisa fazer é aceitar o perdão que Ele comprou. Deus está satisfeito com a obra de Cristo — por que você não estaria? Pecador, no momento em que você crê no testemunho de Deus acerca de seu amado Filho, nesse mesmo instante todos os seus pecados são apagados, e você é aceito em Cristo. Oh, você não gostaria de ter a certeza de que não há nada entre sua alma e Deus? Não gostaria de saber que cada pecado foi expiado e removido? Então creia no que a Palavra de Deus diz acerca da morte de Cristo. Não descanse em seus sentimentos ou experiências, mas na Palavra escrita. Há apenas um caminho para encontrar paz, e é por meio da fé no sangue derramado do Cordeiro de Deus.

Está consumado”. Você realmente crê nisso? Ou está tentando acrescentar algo próprio para merecer o favor de Deus? Há alguns anos, um agricultor cristão estava profundamente preocupado com um carpinteiro incrédulo. O agricultor procurou apresentar-lhe o evangelho da graça de Deus e explicar-lhe como a obra terminada de Cristo era suficiente para que sua alma descansasse nela. Mas o carpinteiro insistia em que precisava fazer algo por si mesmo.

Um dia, o agricultor pediu ao carpinteiro que lhe fizesse uma porta, e quando ficou pronta, levou-a em seu carro. Combinou que o carpinteiro fosse vê-lo no dia seguinte para observar a porta já colocada no campo. Na hora marcada, o carpinteiro chegou e se surpreendeu ao encontrar o agricultor de pé com um machado afiado na mão.

“O que você vai fazer?”, perguntou.

“Vou acrescentar alguns cortes e golpes ao seu trabalho”, foi a resposta.

“Mas não há necessidade disso”, respondeu o carpinteiro, “a porta está bem como está. Eu fiz tudo o que era necessário”.

O agricultor não lhe deu ouvidos, mas levantando o machado começou a cortar e destruir a porta até arruiná-la completamente.

“Veja o que você fez!”, gritou o carpinteiro. “Você arruinou o meu trabalho!”

“Sim”, disse o agricultor, “e isso é exatamente o que você está tentando fazer. Está tentando anular a obra terminada de Cristo com suas próprias miseráveis adições”.

Deus usou essa poderosa lição para mostrar ao carpinteiro o seu erro, e ele foi levado a render-se pela fé ao que Cristo havia feito pelos pecadores. Leitor, você fará o mesmo?


Conclusão do editor

A sexta palavra de Cristo na cruz — “Está consumado” — nos introduz no momento mais glorioso de toda a história da redenção. Não é um sussurro de derrota, mas uma proclamação de vitória absoluta. Nesta declaração final, o Senhor Jesus Cristo anuncia que a obra que o Pai lhe confiou foi realizada em sua totalidade: o pecado foi expiado, a justiça divina foi satisfeita e o caminho da salvação foi aberto de maneira definitiva.

Aqui repousa a segurança do crente. Não se trata de uma obra parcial nem dependente do esforço humano, mas de uma obra perfeita, completa e irreversível. Nada pode ser acrescentado ao que Cristo já consumou na cruz. Toda tentativa de complementar o seu sacrifício apenas menospreza a sua suficiência. Portanto, a única resposta apropriada é descansar pela fé nessa obra terminada, confiando plenamente em que Deus foi satisfeito em seu Filho.

Ao contemplarmos esta palavra, somos chamados não apenas a crer, mas também a adorar. A cruz não apenas revela o horror do pecado, mas também a grandeza do amor redentor. Que esta verdade transforme o nosso coração, fortaleça a nossa fé e nos leve a viver em gratidão, sabendo que em Cristo tudo foi consumado e que n’Ele temos uma salvação segura e eterna.

As sete Palavras de Cristo na cruz. VII: A palavra de contentamento (A. W. Pink)
As Sete Palavras de Cristo na cruz. V: A Palavra de sofrimento (A. W. Pink)

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